FAZENDA

Famílias viviam em condições sub-humanas

Mayara, 12 anos, não estuda, mas tem sonhos como qualquer outra crianças que foram roubados pelo trabalho escravo que fora submetida Mayara, 12 anos, não estuda, mas tem sonhos como qualquer outra crianças que foram roubados pelo trabalho escravo que fora submetida (Foto:Fotos: Jeferson Vieira)
Eram 9h35 da manhã de ontem (28) quando o comboio formado por dois carros da prefeitura, uma perua da Secretaria de Cidadania e um ônibus escolar chegou à fazenda Palmeira, na rodovia que liga São Carlos-Ribeirão Preto. Os carros estacionaram perto de quatro casebres pintados de amarelo. Na porta da primeira casa, a mais simples de todas, estavam três meninos e na janela uma menina que olha assustada todas aquelas pessoas estranhas ao seu ambiente. Na quinta-feira (27) uma denúncia anônima levou o sub-delegado do Trabalho de São Carlos, Antonio Valério Morillas Júnior, descobrir na fazenda trabalho escravo de crianças no plantio e na colheita de tomates.
 

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Mayara é a menina da janela, tem 12 anos e está a seis meses na fazenda, neste período deixou de lado a escola. Ela cursava a 5ª série do Ensino Fundamental. Trabalhava obrigada na lavoura de tomate. Brincar com os irmãos ou de boneca, ficou apenas nos sonhos. Ela não tem bonecas, e sim mãos cheias de calos, braços picados por inseto. Mesmo com a dificuldade do seu dia-a-dia, não perdeu a doçura e o encanto de criança.


“Vem conhecer minha casa, é muito ruim morar aqui”, disse a menina convidando para conhecer o casebre amarelo. Escuro, sujo e com um cheiro forte. O primeiro cômodo é a sala. Um sofá velho e colchões empilhados no canto.

Enquanto mostrava a sala, Mayara deixou escapar um dos seus sonhos. “Quero ser bióloga”, disse. Mas na sequencia silenciou e falou que seria muito difícil por que estava fora da escola.

3Agora ela mostra a cozinha. Besouros por todo o lado, um fogão a lenha improvisado e algumas panelas. Logo em seguida aponta para o quarto. Um monte de caixas plásticas, as utilizadas para levar verduras, empilhadas em um canto. Quarto escuro, sem janelas. “Aqui a gente dorme, arruma as caixas, coloca o colchão e dorme”, explica Mayara apontando para as caixas. No fundo casa um banheiro aberto apenas um vaso sanitário. Qualquer pessoa que utilizar o banheiro será visto por outras que estão na plantação.

A menina deixa a casa, vai para o quintal, e a criança Mayara, que estava séria, sorri e corre para pegar uma cachorrinha, um filhote de vira lata. Começa a brincar com o animalzinho de estimação. Chegam os irmãos, dois mais velhos e o caçula. Nenhum deles está na escola. Todos trabalham no plantio do tomate, passam agrotóxicos na plantação. O mais velho Rodrigo de 14 anos é fã de Neymar do Santos. “Eu adoro o Neymar, ele joga muito”, conta Rodrigo que não tem nenhuma bola para brincar. O mais calado, com receio e medo era o menor. Marcio, de estava desconfiado de tudo e de todos. Não quis conversar, mas deixou tirar fotos.4

Rogério, é o outro irmão de Mayara. Ele tem 13 anos e estava com a mão e a perna machucada por causa do trabalho. Também não estuda. Parou na 7ª série. “Não quero ficar mais aqui, quero ir para a minha cidade”, dizia o Rogério, com o ar sério de uma pessoa bem mais velha. A família é de Guapiara, região do Vale da Ribeira, local carente e com pouca oferta de emprego. “Lá eu estudava, quero voltar para a escola”, disse. Toda a família de Mayara consegue por mês R$ 600,00 com o trabalho dos pais, Maria Aparecida e seu José. As crianças não recebem nenhum nada pelo tempo passam em condição sub humana na lavoura.


Mais a diante outras famílias são visitadas pelos agentes da prefeitura e do Ministério do Trabalho. Um total de 25 pessoas são retiradas dos casebres e encaminhadas a um hotel na região central de São Carlos.

Última modificação em Domingo, 30 Outubro 2011 18:32
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