Ano novo é tempo de comemorar com a família e amigos e também de renovar as esperanças. Mas o ceticismo atinge as pessoas. Na antevéspera do ano novo, a reportagem do Jornal PP saiu as ruas para saber das pessoas quanto a expectativa para 2012. A resposta mais ouvida mostra claramente a desilusão das pessoas quanto alguns aspectos, principalmente no que diz respeito a saúde, educação e, principalmente, política.
No levantamento feito pelo jornal, foram ouvidas cerca de 50 pessoas. Dessas, a grande maioria, 43 (86%), esperam melhorias para o ano que vem e estão desacreditados quandoo assunto é mudança. Como por exemplo o caso do aposentado Elidio Barbosa. Ele relata que, quando jovem, também tinha perspectivas de mudança, mas hoje já perdeu esse sonho. “Não sou pessimista, sou realista. O Brasil é um país onde não se investe em educação,e isso agrava os problemas”.
Para o aposentado, a descrença quanto o sistema político do país vêm desde a muito tempo. “Votei pela última vez em 1960, para o Jânio Quadros. Foi a primeira e última vez”, relata Barbosa que, a época, tinha 18 anos. Hoje, aos 70, ele afirma que não vota mais e dispara: “Os bandidos estão em Brasília, não nas favelas”, desabafa.
Opinião compartilhada por João Pedro Amaral. Com 44 anos e trabalhando de serviços gerais, ele relata uma realidade diferente para basear a opinião. “Há 22 anos eu vim do Mato Grosso para trabalhar aqui. Desde aquela época, como a gente não vê mudança e melhoria em nada, ficamos sempre com um pé atrás. É claro que a gente deseja saúde, paz e prosperidade para todos, mas o que a gente deseja e o que a gente espera é bem diferente”, afirma.
Amaral diz tambémque não se pode generalizar, mas vota por obrigação. “Se fosse facultativo o voto, eu não pagava ônibus e não enfrentava fila pra votar. Se ainda os políticos fizessem por merecer eu votaria até com gosto. Como não fazem, vai na má vontade mesmo”, explica.
E essa onde da pessimismo parece mesmo contagiar a todos, até mesmo os mais jovens se mostram indiferentes quanto as expectativas. “Adoraria falar que espero que seja um 2012 melhor, mas não é o que penso. Acho que é tudo sempre igual”, observa a jovem estudante Camila de Andrade, de 17 anos.
Mas há exceções. Maria de Lourdes Peres faz parte dos 14% que o pessimismo passa longe. “Não que esteja tudo perfeito, mas acho que reclamam demais. Acho que se não está tudo como se quer, a gente tem que lutar pra conseguir, né? Espero um 2012 melhor que 2011, porque eu vou fazê-lo melhor!”, finaliza a comerciante de 33 anos.