O entendimento da Fundação Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (Procon) de São Paulo é de que o setor supermercadista deve oferecer ao cliente uma maneira de acomodar as compras de forma gratuita independente da exclusão das sacolas plásticas que saem de cena a partir de 25 de janeiro.
De acordo com a diretora do Departamento de Defesa do Consumidor, Juliana Rossi, instituição ligada ao Procon,em São Carlosnão é uma norma regida por lei, é um entendimento, já que o supermercado precisa oferecer ao consumidor uma maneira dele levar as compras para casa.
O Procon, avalia Juliana Rossi, não está contra ao acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do estado que prevê a exclusão das sacolas plásticas descartáveis de forma gratuita ao consumidor. “Mas entendemos que o consumidor tem de ter alguma alternativa sem custo”, ressalta.
Com a campanha “Vamos Tirar o Planeta do Sufoco”, os supermercados não mais distribuirão as sacolas plásticas para incentivar os clientes a optarem por alternativas reutilizáveis, como caixas de papelão, carrinhos ecológicos ou sacolas biodegradáveis.
Por não ser uma lei, o Procon não tem como fiscalizar ou mesmo punir o estabelecimento que não seguir a orientação, mas Juliana Rossi afirma que o consumidor deve argumentar com a gerência dos estabelecimentos que se recusarem a tal procedimento e caso não haja solução que procure a sede do Procon para fazer sua reclamação. “Assim poderemos notificar as empresas que não aceitarem o acordo”, relatou.
Para o vice-presidente da Apas, que também coordena a regional da entidade na Região Central, da qual São Carlos faz parte, Aurélio Mialich, os supermercados já ofereceram de forma gratuita as caixas de papelão para acomodar as compras. “Mas diante das experiências em cidades que se anteciparam na campanha como Jundiaí, Americana e Descalvado, a população encampou a campanha e em 15 dias já se organizou com sacolas retornáveis para fazer as compras”, relatou.
O gerente administrativo do supermercado Dia %,em São Carlos, Guilherme René, revelou que o estoque de sacolas retornáveis já foi renovado nas três últimas semanas. “Em um final de semana que as sacolas plásticas terminaram na loja vendemos cerca de 400 sacolas retornáveis e estamos com um volume de venda de pelo menos 60 por semana”, disse.
Sem um preço estipulado, os supermercadistas vão cobrar entre R$ 0,18 e R$ 0,22 por unidade de sacolas plásticas convencionais. As embalagens biodegradáveis têm um preço estimado no mercado de aproximadamente R$ 0,89. Já as sacolas retornáveis estão com preço subsidiado pelos supermercadistas, e em média são vendidas por R$ 2,50.