Depois de muitos anos, a Justiça do Trabalho vai definir, através de dissídio coletivo, a concessão de reajuste salarial e outros benefícios para a categoria gastronômica de São Carlos e Região.
Isso deve ocorrer porque depois de quase dois meses de negociações, o Sintshogastro e o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes não conseguiram encontrar um denominador comum para fechar o acordo coletivo da categoria. O caso deve ser levado ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região de Campinas. A data base da categoria é 1º de janeiro.
Thiago Vilani, do sindicato patronal, afirma que as reivindicações estão “fora da realidade” do setor. “Nós já adiantamos, em meados de 2011, um reajuste de 3%. Além disso concordamos em repassar a inflação e um percentual de aumento real. Mas o sindicato está pedindo algo em torno de 17% a 18% de reajuste total, algo totalmente fora da realidade”.
Para Vilani, o objetivo do sindicato trabalhista é de igualar o piso de São Carlos aos pisos de Campinas e Araraquara de uma vez só. “São cidades com situações totalmente diferentes e não temos como fazer isso. Assim, acredito que o reajuste realmente será definido pelo tribunal”, ressalta ele.
O presidente do Sintshogastro, Manuel Simões Pires, afirma que a categoria reivindicou um reajuste de 10% sobre o piso atual maior, que é de R$ 683,63. Ele explica que atualmente existem dois pisos abaixo deste: um para empresas com até 5 funcionários, de R$ 628,30 e um segundo piso, de R$ 646,59 para empresas que empregam entre 6 e 19 pessoas.
“Na verdade o que existe é uma insensibilidade do setor patronal, pois temos o menor piso da região. Em Araraquara o piso é de R$ 781; em Jaú é de R$ 709;em Porto Ferreiraé de R$ 742, em Piracicaba é de R$ 742;em Rio Claroé de R$ 760; em Campinas é de R$ 760; em Leme é de R$ 742;em Barra Bonita, é de R$ 709,50 eem Ribeirão Pretoé de R$ 750, além de Botucatu, onde ele é de R$805”, comenta o sindicalista Pires.
O sindicalista alerta que, caso o empresariado do setor não mude sua postura e passe a valorizar o trabalhador, o segmento hoteleiro e gastronômico terá dificuldades de conseguir mão-de-obra num futuro próximo.
A decisão interessa diretamente a cerca de 4.000 trabalhadores de aproximadamente 800 empresas de 13 cidades: São Carlos, Pirassununga, Descalvado, Torrinha, Brotas, Corumbataí, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Cruz da Conceição, Santa Rita do Passa Quatro, Itirapina, Ibaté, Dourado e Ribeirão Bonito.