Dor e tristeza marcaram o velório de João Carlos de Almeida e de suas duas filhas Bruna Denardy de Almeida e Graziela Bernardes. Familiares, amigos e conhecidos estavam chocados com o acidente que causou comoção, inclusive, a muitos que nem sequer conheciam a família.
De acordo com Graziela Baron Vanni, psicóloga especializada em Terapia Cognitiva Comportamental, essa comoção generalizada pode ser explicada devido ao fato de que as pessoas se colocam no lugar do outro e vivenciam o luto como se ele pertencesse a si próprio. “As pessoas se comovem com casos assim porque se identificam. O que eu acho que explica um pouco o choque é que poderia ser com a família dos nossos vizinhos. Mais ainda, poderia ser com a nossa própria família. Esses desconhecidos se imaginam na situação dessas pessoas que terão que lidar com essa perda tão drástica. É olhar para o sofrimento do próximo e ter compaixão, sentir empatia por essa família”, explica.
Segundo ela, um dos fatores que contribuem para a compreensão desse comportamento é a circunstância da morte. “O que aconteceu foi uma tragédia. O ser humano é único e isso reflete nos vínculos que ele estabelece, bem como nas condições da dor pela perda. Muito vivem o luto. Choram como uma maneira natural de aliviar a tensão interna, permitindo que seja comunicada a necessidade de ser confortado. Sofrem durante os primeiros dias após a perda, claro que não na mesma proporção daquele que perdeu, mas há esse sentimento de compartilhar a perda”, ressalta.
Outro fator que influencia nessa comoção é que duas das vítimas foram crianças. A psicóloga afirma que acidentes envolvendo vítimas tão jovens simbolizam uma interrupção no futuro, pois as crianças representam, direta ou indiretamente, o nosso porvir. “É uma facada no peito de qualquer um imaginar que a vida de duas meninas que ainda tinham a vida inteira pela frente tenha sido interrompida de forma tão brutal”, finaliza.