Violência obscurece esperança de trégua
Tropas sírias atacaram áreas da oposição neste sábado, 7, disseram ativistas, matando 43 pessoas em uma ofensiva que levou milhares de refugiados em direção à Turquia antes de cessar-fogo da semana que vem, apoiado pela ONU que visa encerrar um ano de derramamento de sangue.
Cada lado acusa o outro de intensificar ataques na corrida para a trégua, que terá efeito na quinta-feira se as forças do governo começarem a ser retiradas em linha com o plano da Liga Árabe das Nações Unidas, de acordo com o plano de paz desenhado por Kofi Annan.
Os militares atacaram o distrito de Deir distrito Baalba, na cidade rebelde de Homs, matando 17 pessoas, o qual o Comitê de Coordenação Local chamou de "massacre".
Vídeo amador gravado por ativistas mostrou cenas violentas, atribuídas ao ataque. Partes de membros mutilados e partes do corpos foram enrolados e cobertos e então carregados em um caminhão após bombardeio do exército. As imagens, que não puderam ser verificadas de forma independente, também mostraram 13 pessoas que aparentemente tinha sido amarradas e tiveram suas gargantas cortadas.
Nenhum comentário foi imediatamente disponível dos funcionários sírios.
O Observatório Sírio para Direitos Humanos disse que pelo menos 43 pessoas foram mortas, incluindo 27 em um ataque do Exército em al-Latmana, uma cidade na província de Hama, que começou nesta sexta-feira, 6.
Os rebeldes que tentam derrubar o presidente Bashar al-Assad atacaram postos do exército ao norte de Aleppo depois da meia-noite, matando um oficial e dois homens, e uma base de helicóptero, disseram ativistas.
Comandos sírios mataram três rebeldes em um ataque durante a noite em um "esconderijo terrorista", afirmou a agência de notícias estatal da Síria SANA.
As cidades de Anadan e norte Hraytan de Aleppo e zona rural em torno segunda cidade da Síria passaram por dias de confrontos e bombardeios, levando 3.000 civis até a fronteira com a Turquia somente nesta sexta-feira, 6 - cerca de 10 vezes o número diário antes de Assad ter aceitado o plano de Annan 10 dias atrás.
O plano de Annan prevê uma trégua em 12 de abril, além do início de um diálogo entre governo e oposição acerca de uma "transição política" para o país.
Putin nega que Rússia forneça armas para conflito
O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira, 1º, que a Rússia não apoia nenhum lado do conflito na Síria e negou que seu país esteja enviando armas para Damasco que seriam usadas pelas forças de segurança leais ao presidente Bashar al Assad.
Putin, falando numa entrevista coletiva ao lado da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, também disse que a comunidade internacional deve continuar dando apoio ao plano de paz do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan para encerrar o derramamento de sangue na Síria.
"Temos uma relação boa e de longa duração com a Síria, mas não apoiamos nenhum lado diante da ameaça do início de uma guerra civil", disse Putin.
"Eu concordo com a senhora chanceler (Merkel) de que nossa tarefa comum é impedir que a situação se desenvolva para um cenário tão desfavorável. Hoje estamos vendo os sinais do início de uma guerra civil. Isso é extremamente perigoso", acrescentou.
"Sobre o fornecimento de armas, a Rússia não fornece armas que possam ser usadas num conflito civil”, afirmou Putin.
Merkel, por sua parte, afirmou que ela e Putin são ambos favoráveis a uma solução política para a crise na Síria.
"O massacre recente em Houla mostrou mais uma vez quão terrível está a situação humanitária e dos direitos humanos na Síria", disse ela, após reunião com o presidente russo em Berlim.
"Nós dois deixamos claro que queremos uma solução política, e que o plano de Annan pode ser um ponto de largada, mas devemos trabalhar com toda energia e força, particularmente no Conselho de Segurança da ONU, para implementar este plano e, se necessário, desenvolver outras ações políticas."
Turquia ameaça cortar energia para Síria caso repressão de Assad continue
Mais de 34 crianças são mortas desde trégua
Mais de 34 crianças foram supostamente mortas na Síria desde que uma trégua precária entre as forças de segurança do presidente Bashar al-Assad e os grupos de oposição teve início em 12 de abril, disse uma enviada da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 1º.
"Eu suplico para que todos os envolvidos nos conflitos na Síria se abstenham de utilizar táticas indiscriminadas que resultem na morte e no ferimento de crianças", disse a enviada especial para crianças e conflitos armados, Radhika Coomaraswami.
A ONU foi amplamente afastada da Síria durante o conflito e a maior parte dos jornalistas independentes foi barrada, fazendo com que seja difícil verificar independentemente os detalhes dos ataques e das mortes.
"Desde que foi assinada uma trégua em 12 de abril... e apesar do envio de monitores da ONU, mais de 34 crianças foram supostamente mortas", disseram as Nações Unidas em nota.
O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, sediado no Reino Unido, disse que duas crianças estiveram entre as 10 pessoas mortas num ataque de morteiros na segunda-feira por forças sírias em um vilarejo na província de Idlib, no norte do país.
Coomaraswamy também disse em dias recentes que pelo menos uma criança foi morta durante protestos contra o governo e que o corpo de uma garota foi recuperado dos destroços de uma casa destruída na cidade de Hama.
Confrontos abalam véspera de eleição parlamentar
Confrontos entre rebeldes e forças do presidente Bashar al-Assad eclodiram em uma província produtora de petróleo no Leste da Síria, disseram neste domingo, 6, moradores e ativistas, nas vésperas das eleições parlamentares que as autoridades dizem mostrar que reformas estão a caminho.
Rebeldes com granadas atacaram tanques no Leste de Deir al-Zor, capital de província, em resposta a uma ofensiva do Exército contra cidades e vilas na região tribal na fronteira do Iraque que deixou dezenas de mortos e impediu a chegada de alimentos e medicamentos, afirmaram as fontes.
O Exército ainda tem taques e armas pesadas em cidades, o que vai contra o cessar-fogo monitorado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Os rebeldes continuam os ataques contra os comboios militares que cruzam o país, de acordo com testemunhas e fontes da oposição.
Exército ganha terreno no aniversário da revolta
A rebelião contra o presidente da Síria, Bashar al-Assad, completa um ano nesta quinta-feira, 15, dia marcado por novos avanços dos militares numa crise que é cada vez mais sangrenta e não tem perspectiva de solução diplomática à vista.
A imprensa oficial anunciou que as forças do governo expulsaram os "terroristas armados" da cidade de Idlib, no noroeste do país, e que partidários de Assad fariam manifestações em toda a Síria.
Mas os adversários do regime não dão sinais de recuo, e houve relatos de continuados confrontos nas regiões ao redor de Idlib e de Homs, no centro do país, que recentemente passou semanas sob um violento cerco militar.
Em meio a sombrios alertas de que a Síria está mergulhando em uma guerra civil, o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, pediu mais esclarecimentos a Damasco na sua resposta a uma proposta de paz levada por ele no fim de semana.
A Síria diz ter reagido de forma "positiva" à abordagem de Annan, mas um diplomata ocidental de alto escalão na região afirmou à Reuters que Damasco, na prática, rejeitou as ideias de Annan.
O enviado internacional deve se reportar na sexta-feira ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, onde Rússia e China irritam as potências ocidentais por manterem o apoio a Assad, barrando qualquer iniciativa internacional para tentar conter o derramamento de sangue.
A ONU estima que mais de 8 mil pessoas, a maioria civis, tenham morrido em um ano de confrontos. Cerca de 230 mil sírios foram deslocados das suas casas, sendo que 30 mil foram para o exterior, abrindo a possibilidade de uma crise de refugiados. A Turquia disse ter recebido mil cidadãos sírios nas últimas 24 horas, elevando o total registrado a cerca de 14 mil. (reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Amã)
Comissária da ONU pede ação internacional na Síria
A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira à comunidade internacional que tome providências para proteger a população civil da Síria contra a "implacável repressão" governamental.
Mais de 4.000 pessoas já foram mortas desde março na Síria, sendo 307 crianças, e mais de 14 mil pessoas estão supostamente presas, segundo relato de Pillay numa sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
"A contínua e implacável repressão das autoridades sírias, se não for interrompida agora, pode levar o país a uma guerra civil plena. À luz do manifesto fracasso das autoridades sírias em proteger seus cidadãos, a comunidade internacional precisa tomar medidas urgentes e efetivas para proteger o povo sírio", disse Pillay.
"Todos os atos de assassinato, tortura e outras formas de violência devem parar imediatamente", acrescentou ela.
Pillay manifestou preocupação também com os relatos cada vez mais frequentes sobre ataques armados de forças oposicionistas, inclusive do auto-intitulado Exército Sírio Livre, contra militares e policiais leais ao governo.
Nesta sexta-feira, um grupo oposicionista disse que militares desertores mataram oito pessoas em um ataque contra um prédio dos serviços de inteligência no norte da Síria.
A jurista sul-africana, que já foi juíza de crimes de guerra da ONU, lembrou ter solicitado em agosto que o Conselho de Segurança da ONU encaminhe o caso da Síria para a promotoria do Tribunal Penal Internacional, sob suspeita de crimes contra a humanidade. "A necessidade de responsabilização internacional tem uma urgência ainda maior hoje", afirmou ela.
O Conselho de Direitos Humanos, que reúne 47 países e funciona em Genebra, já realizou três sessões de emergência para discutir a situação na Síria. A desta sexta-feira foi convocada pela União Europeia com apoio dos EUA e de países árabes.
Cidade é alvo de tiroteio durante visita de monitores
Houve tiroteios nesta quarta-feira, 18, em uma cidade da Síria durante visita dos monitores das Nações Unidas, afirmaram a mídia estatal síria e ativistas.
Imagens de vídeos amadores de ativistas, supostamente feitos em Erbin, na província de Damasco, mostraram dois carros brancos com sinais da ONU cercados por manifestantes anti-Assad.
Há um grande estrondo, os manifestantes fogem e a câmera move-se para mostrar a poeira subindo na frente do carro antes de o som das sirenes serem acionados e os veículos brancos acelerarem.
O canal de televisão Ikhbariya disse que um "grupo terrorista" também tinha plantado uma bomba em um posto de controle, ferindo um membro das forças de segurança sírias.
Outro vídeo da Internet, que segundo ativistas foi filmado em Erbin, mostrou uma multidão de pessoas correndo por uma rua com o som de armas de fogo automáticas no fundo.
Há até agora apenas seis observadores da ONU na Síria, liderados pelo coronel marroquino Ahmet Himmiche. Na terça-feira eles fizeram uma viagem à a cidade de Deraa, no sul, aparentemente sem incidentes.
Nesta quarta-feira, 18, foram para Erbin, nos arredores de Damasco, escoltados por carros da polícia síria, e foram atacados por manifestantes que acenavam bandeiras e protestavam contra o presidente Bashar al-Assad.
A faixa dizia: "O açougueiro continua matando, os observadores continuam observando, e as pessoas continuam com a sua revolução. Nós nos curvamos apenas a Deus”.
Himmiche atravessou a multidão apertada vestindo uma boina azul da ONU e colete à prova de balas e entrou em seu veículo, onde falou em um alto-falante, aparentemente pedindo para a multidão se afastar e deixar os carros saírem.
Violência continua apesar de pressão da ONU
Houve confrontos em várias partes da Síria nesta quinta-feira, 22, disseram ativistas da oposição, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU convocar todos os lados a interromper os combates e negociar uma solução para a rebelião iniciada há um ano.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que a declaração aprovada por unanimidade pelo conselho passa à Síria uma clara mensagem pelo fim da violência, mas o apelo teve pouco impacto no terreno, onde rebeldes tentam derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad.
Fontes da oposição disseram que tanques do governo bombardearam fortemente um bairro grande da cidade de Hama, após combates entre os rebeldes do Exército Sírio Livre e forças pró-Assad.
O bombardeio destruiu casas no bairro de Arbaeen, na zona nordeste de Hama, que está na linha de frente da revolta. Fontes da oposição disseram que pelo menos 20 pessoas morreram em ataques do Exército na área nos últimos dois dias.
É impossível verificar os relatos vindos da Síria, por causa das restrições do governo ao trabalho da imprensa.
As tropas sírias também tentaram invadir nesta quinta-feira a cidade de Sermeen, matando um homem e ferindo dezenas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo oposicionista com sede na Grã-Bretanha.
A entidade acrescentou, com base na sua rede de informantes na Síria, que houve relatos de confrontos também na província de Hama, no centro, e na cidade de Deraa, no sul, onde vários soldados morreram numa emboscada, e que forças governistas fizeram revistas em casas na província de Deir al-Zor, no leste.
A declaração do Conselho de Segurança, que teve o voto da Rússia e da China, num raro momento de unidade global em relação à crise, apoia a iniciativa pacificadora do enviado especial Kofi Annan e alerta para "novos passos" caso a Síria não responda positivamente.
O plano de Annan prevê seis itens, inclusive a instauração de um cessar-fogo, a abertura de acesso humanitário às populações civis e o início de um diálogo entre o governo e a oposição. Prevê também que o Exército pare de usar armas pesadas em áreas populosas e que as tropas se retirem das cidades.
A declaração da ONU, que não tem a mesma força legal de uma resolução, fala também sobre a necessidade de uma transição política na Síria, mas sem exigir a renúncia de Assad, como propõem governos árabes e ocidentais.
Rússia e China vetaram anteriormente duas propostas de resolução sobre a Síria, por temerem que elas levassem a uma intervenção militar internacional nos moldes da que ocorreu no ano passado na Líbia.
A agência estatal de notícias da Síria aparentemente minimizou a declaração do conselho, dizendo que ele não contém "alertas nem sinais".
Na noite de quarta-feira, o conflito extravasou o território sírio, quando uma aldeia libanesa na fronteira foi atingida por diversos foguetes vindos do país vizinho. Uma pessoa ficou ferida. (reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Amã; de Steve Gutterman, em Moscou; e de Madeline Chambers, em Berlim)
Ministros árabes discutem sanções contra a Síria
Os ministros de Relações Exteriores dos países árabes estão reunidos no Cairo nesta quinta-feira para discutir novas sanções contra a Síria, depois que o país fracassou em implementar um plano da Liga Árabe para encerrar a repressão contra os manifestantes que protestam contra o presidente Bashar al-Assad.
A Liga, que por décadas tem rejeitado tomar medidas contra qualquer Estado-membro, suspendeu este mês a Síria e ameaçou impor ao país sanções ainda não especificadas por ignorar o acordo assinado.
A Síria vem deslocando tanques e tropas contra manifestantes civis e também contra insurgentes armados que desafiam o governo de Assad, no poder há 11 anos. Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 3.500 pessoas já morreram por conta da repressão.
"A Síria não ofereceu nada para que houvesse um progresso na situação", disse um diplomata árabe da Liga, acrescentando que a organização estava considerando que tipo de sanções seriam impostas.
"A posição dos Estados Árabes é quase unânime. Todos nós concordamos... que a situação não precisa levar à guerra civil e que nenhuma intervenção estrangeira deve ocorrer", afirmou.
O acordo de 12 de novembro para suspender a Síria foi apoiado por 18 dos 22 membros da organização.
O Líbano, onde a Síria mantém uma presença militar há anos, e o Iêmen, que atualmente enfrenta uma revolta interna, se opuseram à decisão. O Iraque, cujo governo xiita está mantendo cautela para não ofender o principal aliado da Síria, o Irã, se absteve da votação.
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