Educação

Livro de docentes da UFSCar e da USP reúne olhares sobre as árvores

A professora Fernanda Keila Marinho da Silva, do Departamento de Física, Química e Matemática (DFQM-So) da UFSCar, Campus Sorocaba, lança, no próximo dia 30 de agosto, o livro “Arboretos literários: árvores descritas, escritas e imaginadas por um outro habitar do mundo”, organizado em parceria com a professora Clarice Sumi Kawasaki, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP).

Publicada pela Livraria da Física, a coletânea reúne 18 textos que exploram diferentes formas de relação entre pessoas e árvores. Memórias, experiências, reflexões, afetos e engajamentos ambientais se entrelaçam em narrativas acompanhadas por ilustrações e fotografias que dialogam organicamente com os textos, compondo uma obra que aproxima literatura, ciência, arte e educação ambiental.

Segundo Silva, a ideia do livro nasceu a partir da realização das duas primeiras edições do evento “Arvore-se”, organizado pelas próprias docentes, em 2022 e 2024; e que em 2026, terá a sua terceira edição. A experiência permitiu perceber que as relações entre seres humanos e plantas extrapolam a dimensão científica e incluem aspectos afetivos, culturais e sociais.

“A partir das duas edições do ‘Arvore-se’ fomos nos aproximando do entendimento de que as pessoas possuem diferentes relações com as plantas, tanto do ponto de vista científico quanto do ponto de vista pessoal e afetivo. A motivação para o livro também nasce das questões socioambientais e climáticas pelas quais estamos passando”, explica a professora.

A proposta da obra é ampliar as formas de compreender o papel das árvores na sociedade. Em vez de restringir a discussão ao conhecimento científico, o livro reúne diferentes gêneros discursivos para estimular uma aproximação mais sensível com a natureza.

“Arboretos literários” convida o leitor a refletir sobre temas como a presença das árvores nas cidades, sua importância para os ecossistemas, os impactos provocados por sua retirada e os vínculos afetivos que diferentes pessoas constroem ao longo da vida com esses organismos.

“Consideramos a abordagem científica importante, porém não suficiente para dar visibilidade ao papel e à importância das árvores. Procuramos reunir outros elementos para refletirmos sobre sua relação com o ambiente, com o espaço urbano e com a vida das pessoas. Acreditamos que isso intensifica aspectos mais sensíveis entre pessoas e árvores”, afirma a docente da UFSCar.

O conceito de arboreto, tradicionalmente associado a espaços destinados ao cultivo e estudo de espécies vegetais, ganha, na obra, um novo significado. As organizadoras convidaram os autores a construírem suas próprias “floras pessoais”, transformando conhecimentos, em primeiro lugar, a partir de suas áreas de atuação, bem como, lembranças, vivências e sentimentos em textos “literários”. Paralelamente, ilustradores produziram imagens inspiradas nessas narrativas, estabelecendo um diálogo entre linguagem verbal e visual.

Produção acadêmica e extensão universitária
Para Silva, a publicação está diretamente relacionada às atividades que desenvolve na UFSCar nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, especialmente em educação ambiental. “Venho trabalhando com educação ambiental na UFSCar, tanto na graduação quanto na pós-graduação, orientando estudos relacionados às questões socioambientais em diálogo com os processos educacionais. A organização das duas edições do ‘Arvore-se’ foi fundamental para chegarmos a essa obra e evidencia a importância da extensão universitária como espaço de construção coletiva do conhecimento”, destaca.

Ao reunir diferentes perspectivas sobre a convivência entre seres humanos e natureza, as organizadoras esperam contribuir para uma reflexão sobre os desafios ambientais contemporâneos.

“Um arboreto reúne diferentes espécies para preservar, estudar e inspirar. Da mesma forma, o livro reúne diferentes vozes, perspectivas e sensibilidades que esperamos contribuir para refletir sobre a relação entre seres humanos, natureza e cultura, valorizando a imaginação, a memória e o senso de responsabilidade coletiva diante dos desafios ecológicos”, conclui a docente.

O lançamento oficial acontece no dia 30 de agosto, às 15 horas, na Biblioteca Sinhá Junqueira (R. Duque de Caxias, 547 – RP/SP), durante a 25ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. A obra também pode ser adquirida pelo site da editora Livraria da Física.

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