(*) Bianca Gianlorenço
Vivemos na era da produtividade, do imediatismo, da ansiedade, do Bournout e por ai vai…
Somos incentivados a fazer mais, produzir mais, conquistar mais, estar disponíveis o tempo todo, parece que estamos em uma corrida sem fim.
Mas o que buscamos afinal? Likes, olhares, curtidas, status, aprovações, validações externas?
Penso que sim!
E o que encontramos?
Uma sociedade cada vez mais cansada, ansiosa, impaciente, intolerante, com os nervos à flor da pele e emocionalmente sobrecarregada.
Acordamos já pensando nas tarefas do dia, da semana, do mês, queremos antecipar tudo, como se fossemos capazes de resolver nossas questões em minutos, com um clique, e o resultado muitas vezes, são as crises de ansiedade.
Você já teve a sensação de estar infartando? Vertigens, mãos geladas, sudorese, foi ao médico e os exames clínicos não acusaram doença física?
Pois bem, você provavelmente foi acometido por uma crise de ansiedade.
O corpo costuma dar os primeiros sinais. Cansaço constante, dores musculares, alterações no sono, dificuldade de concentração, irritabilidade e falta de motivação podem indicar que algo precisa de atenção. Quando esses sinais são ignorados, eles podem evoluir para quadros mais sérios, como ansiedade, depressão e a síndrome de burnout.
Aqui abordarei o Transtorno de Ansiedade Generalizada.
O Transtorno de Ansiedade Generalizada é paralisante, a pessoa vive tentando antecipar o futuro, mas de forma catastrófica, como por exemplo:
“E se eu não conseguir aquele emprego”?
“E se eu for demitido”?
“Ah eu acho que ele não me ama mais”.
É uma avalanche de pensamentos intrusivos, o ansioso sofre de pensamento, não de realidade.
Então precisamos mudar o curso de pensamento.
Fazer uma reprogramação Mental.
Durante o processo de psicoterapia, trabalho dessa forma com meus pacientes e vou colocar alguns pontos para vocês!
Comece a questionar os seus pensamentos, como por exemplo:
Isso que estou pensando existe?
Você vai ver que muitas vezes não, e a chance de acontecer, é mínima.
Então se não existe, elimina o pensamento!
Nossa vida não é baseada em “achismos” e muito menos nos “esses”.
Não tem como resolver algo que não existe.
Então foca em você! Com calma!
Vivemos conectados à tecnologia e desconectados de nós mesmos. Esquecemos de ouvir nossas emoções, respeitar nossos limites e compreender que não precisamos dar conta de tudo o tempo todo.
A sociedade nos cobra cada vez mais presença, e isso leva a ansiedade.
Em A Sociedade do Cansaço, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han descreve sintomas da sociedade do século XXI que ajudam a entender o cenário atual.
Han argumenta que as pessoas estão cada vez mais orientadas pelo desempenho. Esse fenômeno está ligado à ideia de que é possível dar conta de inúmeras atividades em um único dia. De forma inventiva, o filósofo afirma que esse movimento leva a um esgotamento psíquico — uma leitura que parece cada vez mais precisa.
A ansiedade lidera os diagnósticos no Brasil.
Foram 141.414 afastamentos por ansiedade em 2024.
Em 2025 foram 546 mil, ou seja, o número só aumenta.
Não existe fórmula mágica para lidar com a ansiedade ou qualquer outro transtorno psiquico, porém, é bom criar rotinas e hábitos saudáveis para manter a ansiedade bem longe. O exercício físico ajuda, de um modo geral, a ganhar consciência do nosso organismo e a liberar serotonina.
Evite acumular tarefas, pois pode aumentar o estresse cotidiano.
Coloque prioridades.
Pense no que é saudável para você, volte o olhar para o Eu.
Porém nada disso substitui o acompanhamento médico e psicológico!
Não consegue lidar com essa situação sozinho?
Busque ajuda profissional.
(*) A autora é Psicóloga, inscrita no CRP/ SP sob o n° 06/113629 atuante desde 2013. Especialista em Psicologia Clínica com título concedido pelo Conselho Federal de Psicologia. Especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica. Especialista em Psicoterapia infantil. Psicanalista. São-carlense e fundadora da Clínica Gianlorenço – Saúde Mental e Física. Contato profissional: WhatsApp 16 997375436
Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Jornal Primeira Página sobre o assunto.








