Libertadores

Corinthians sobrevive a sufoco na Argentina

Hugo Souza alertou o juiz que havia sido alvo de ofensas racistas vindas da arquibancada/Rodrigo Coca, Agência Corinthians

Leonardo Catto/AE

O Corinthians pode comemorar o 0 a 0 com o Rosario Central na Argentina pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. O time mal viu a cor da bola, mas segurou os mandantes no Estádio Gigante de Arroyito, na primeira partida oficialmente sem Memphis Depay.

Os corintianos não conseguiram sair para a criação e levaram um sufoco dos argentinos. Ángel Di María, maestro do Rosario, mostrou como orquestrar um time aos 38 anos. Faltou qualidade para que os companheiros convertessem o volume de jogo em gols.

Sobrou jogo físico e empurrões entre discussões. Rosario Central e Corinthians fizeram partida com cara de Libertadores. No intervalo, já eram seis cartões amarelos, reflexo das disputas fortes dos dois lados do campo. Futebol jogado ficou em falta.

Foi o sétimo empate dos oito jogos das oitavas de final da Libertadores. O único jogo que não teve igualdade foi a partida entre Tolima e Independiente Del Valle, adiada pela Conmebol, por causa do terremoto na Colômbia.

Os corintianos acertaram o travessão em uma chance clara, apenas aos 42 minutos. Praticamente sem querer, Matheus Bidu completou de cabeça um cruzamento de Matheuzinho e assustou os donos da casa.

Procurando Di María a cada jogada, o Rosario pressionou o Corinthians, buscando o camisa 11 pelos lados. A pontaria falhou, com apenas um chute na direção do gol em seis tentativas no primeiro tempo.

Por volta dos 35 minutos, o Rosario chegou perto de ter um pênalti. Primeiro, Giovanni Cantizano foi derrubado por Gustavo Henrique. Inicialmente, o uruguaio Andrés Matonte mandou seguir, mas, depois, foi ao VAR para analisar a mão de Gabriel Paulista, que caiu na trajetória da bola em seguida. Matonte não viu penalidade.

O segundo tempo iniciou na mesma toada. O Corinthians era amassado no seu campo de defesa. Di María passou a dividir a função de articulação com Jaminton Campaz. O camisa 8 infernizou Matheuzinho no lado esquerdo de ataque do Rosario.

Pedro Raul mal aparecia. O centroavante, que depende de bolas na área, ficava isolado do restante do time, preso atrás. Kaio César estava à disposição para transições em velocidade, mas quase não era acionado.

O futebol já não era o protagonista, quando, aos 20 minutos, Hugo Souza alertou o juiz que havia sido alvo de ofensas racistas vindas da arquibancada. Matonte fez o sinal de “X” com os braços e sinalizou a situação ao delegado da partida. Os jogadores do Rosario pediram calma aos torcedores. O jogo foi para a pausa de reidratação, sem ter outra paralisação pelo caso

Com o jogo retomado, o Rosario tirou o pé, com claro desgaste físico, principalmente do veterano Di María. O Corinthians pôde, então, ensaiar subidas ao ataque, mas não encontrava espaços. Aos 35 minutos, a dificuldade aumentou, com a expulsão de Allan pelo segundo amarelo.

Na blitz do Rosario, nos minutos finais, Raniele parou, com a mão, um cruzamento do time argentino. Novamente, Matonte analisou não ter havido pênalti.

O Corinthians armou uma retranca e se segurou. Fernando Diniz finalmente utilizou substituições e recheou a defesa. Após oito minutos de agonia no acréscimo, os corintianos puderam respirar aliviados.

O jogo de volta ocorre na quinta-feira, dia 20, às 20h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Antes disso, o time alvinegro recebe o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro, no domingo, às 19h

Mirassol empata

O Mirassol estava vivendo um sonho em sua primeira participação de mata-mata na história da Libertadores. Após passar pela fase de grupos, reencontrou a LDU-EQU, chegou a sair na frente, mas cedeu o empate por 1 a 1 na reta final nesta quinta-feira, no Estádio Campos Maia, pelo jogo de ida das oitavas de final, e terá que decidir a vaga na altitude de Quito.

Depois de se safar na primeira etapa, com duas bolas na trave dos equatorianos, o Mirassol foi em vantagem para o intervalo, com gol de Eduardo, aproveitando uma falha bizarra da defesa. No segundo tempo, o time teve chances de ampliar o marcador, perdeu grandes chances e foi castigado no fim, com Estada. Foi o primeiro gol sofrido pelo time paulista jogando em casa nesta Libertadores.

O empate deixou um gosto amargo para o Mirassol, que agora terá que vencer para manter o sonho vivo. A partida de volta está marcada para a próxima quinta-feira, às 19h, no estádio Casa Blanca. Em caso de novo empate, a vaga será decidida nos pênaltis. Quando se encontraram na fase de grupos, o Mirassol foi superado na altitude por 2 a 0 e devolveu o placar em casa.

O Mirassol tentou começar a partida com sua pressão, intimidando o adversário, mas encontrou dificuldade para finalizar a gol. Quando teve a oportunidade, não perdoou. Segovia errou feio e a bola sobrou para Edson Carioca, que serviu Eduardo bater rasteiro e abrir o placar, aos 14 minutos. A vantagem fez o time paulista diminuir a intensidade e deixou a LDU tomar conta da partida.

Corozo saiu cara a cara, mas buscou o ângulo e errou o alvo. Depois, o atacante finalizou em cima de Walter. O time equatoriano seguiu mais contundente nos arremates, com direto a bola na trave de Cornejo, quase marcando olímpico. Sem conseguir reagir, o Mirassol contou com a sorte novamente. Na reta final, Estada apareceu livre na área e carimbou o travessão de Walter.

A bronca no vestiário parece ter acordado o Mirassol. Com outra postura no segundo tempo, conseguiu ter o controle da partida e lamentou não ter ampliado o marcador. Primeiro, Valle salvou o chute de longe de Carioca, depois Reinaldo enganou metade do estádio quando a bola acertou a rede pelo lado de fora. Antes dos 20 minutos, Bruno Santos também tentou e cabeceou rente à trave.

Após a parada para a reidratação, a LDU passou a equilibrar a posse da bola, porém ainda sem assustar a defesa paulista, que ainda tinha o controle da partida. Até que o Mirassol foi castigado na reta final. Na primeira chegada contundente dos equatorianos, Estrada aproveitou o bate e rebate na área e deixou tudo igual, aos 36. O empate foi um banho de água fria no time paulista que não encontrou forças para reagir.

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