Não compareceram

Quase 10 mil vagas da Saúde são perdidas em um mês por faltas a consultas e exames

A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos informou que o município registrou uma taxa geral de absenteísmo de 16,73% nos atendimentos da rede pública somente no último mês  de julho. Na prática, isso significa que quase 1 em cada 6 pacientes que agendaram consulta ou exame simplesmente não compareceu.

O Faltômetro da Saúde registrou 59.967 atendimentos agendados na rede municipal ao longo do mês. Desses, 49.936 foram efetivamente realizados, enquanto 10.031 vagas ficaram sem uso por ausência do paciente.

O Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC) apresentou a maior taxa de absenteísmo entre todos os serviços mapeados: 27,61%, equivalente a 261 faltas em 945 consultas agendadas.

O Centro Municipal de Especialidades Médicas (CEME) também aparece com um número expressivo de faltas, tanto nas consultas (22,51%, com 1.307 faltas em 5.963 agendamentos) quanto nos exames (21,75%, com 602 faltas em 2.797 agendamentos). O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) teve absenteísmo de 18,09%, com 121 faltas em 669 consultas marcadas.

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram responsáveis pelo maior número absoluto de ausências da rede: 4.957 faltas em um universo de 28.424 consultas agendadas, taxa de 17,44%.

As Unidades de Saúde da Família (USF) tiveram o melhor desempenho relativo do mês, com absenteísmo de 13,15%. Ainda assim, o volume de atendimentos da rede fez com que 2.783 pacientes agendados não comparecessem às consultas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as seis frentes de atendimento mapeadas — CEME Consultas, CEME Exames, CEO Consultas, CAIC Consultas, USF Consultas e UBS Consultas — resultaram nos 10.031 casos de ausência que compõem a taxa geral de 16,73% registrada em julho.

O secretário de Saúde, Leandro Pilha, enumera os motivos de tais índices. “Estamos tratando o absenteísmo como um indicador importante para o planejamento e a gestão da saúde pública. Cada consulta ou exame que não é realizado representa uma vaga que poderia ter sido destinada a outro paciente que também precisa do atendimento, fora a descontinuidade do tratamento, isso ocorre exatamente quando o uso de um medicamento ou um acompanhamento médico é interrompido antes do tempo ideal. Por isso, além de acompanhar os números, estamos buscando entender as causas dessas faltas e identificar onde podemos atuar de forma mais eficiente”.

A Secretaria Municipal de Saúde está estabelecendo uma parceria com a USP por meio do Projeto IntegraSanca – Conectando Dados, Transformando São Carlos – para realizar um mapeamento mais detalhado do absenteísmo na rede municipal. A proposta é analisar os dados e identificar os principais fatores que levam os pacientes a não comparecerem às consultas e aos exames, permitindo que a Secretaria possa adotar estratégias ainda mais direcionadas para reduzir essas perdas.

“Sabemos que existem diferentes situações envolvidas. Em alguns casos, os dados cadastrais estão desatualizados, o paciente não consegue atender ao telefone ou não visualiza a mensagem de SMS. Também temos uma parcela da população, especialmente entre os idosos, que ainda encontra dificuldades com as novas tecnologias. Nosso objetivo é compreender melhor esse cenário e aperfeiçoar os mecanismos de comunicação e confirmação dos agendamentos. Em uma rede com milhares de atendimentos mensais, recuperar essas vagas significa aumentar a capacidade de atendimento”, finaliza Leandro Pilha.

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