(*) Bianca Gianlorenço
Crianças nem sempre conseguem explicar aquilo que sentem.
Muitas vezes, aquilo que para o adulto parece apenas “birra”, “desobediência” ou “manha” pode ser uma forma de comunicação.
Elas não chegam e dizem:
” Eu tive um dia difícil”, e sim, ” brinca comigo”?
Uma mudança repentina no comportamento, dificuldades para dormir, alterações no apetite, isolamento, irritabilidade excessiva, medo intenso, queda no rendimento escolar ou resistência constante em frequentar a escola podem ser sinais de que algo está acontecendo.
Isso não significa que toda mudança de comportamento seja indicativa de um problema psicológico! A questão é quando essa mudança de comportamento a impede de seguir sua rotina, quando a criança paralisa diante de uma situação. Nesse momento, aconselho buscar ajuda profissional.
Crianças passam por fases, enfrentam frustrações e estão constantemente aprendendo a lidar com suas emoções. O importante é observar a intensidade, a frequência e a duração dessas mudanças, além do impacto que elas provocam na vida da criança e da família.
As crianças lidam com as emoções de uma maneira diferente de nós, adultos.
Outro ponto importante é entender que a infância também pode ser marcada por acontecimentos difíceis: separação dos pais, mudanças de escola, perdas, conflitos familiares, bullying, dificuldades de aprendizagem e tantas outras experiências podem despertar sentimentos que a criança ainda não sabe como elaborar.
É nesse momento que a escuta se torna fundamental.
A psicoterapia infantil não significa simplesmente colocar uma criança em uma sala para conversar sobre seus problemas. O trabalho psicológico com crianças utiliza recursos adequados à idade, como o brincar, desenhos, histórias, jogos e outras formas de expressão. Por meio dessas ferramentas, o profissional consegue compreender melhor o mundo emocional da criança e ajudá-la a desenvolver recursos para lidar com aquilo que está vivendo.
E existe algo ainda mais importante: os pais também fazem parte desse processo.
Cuidar da saúde mental de uma criança não é procurar culpados. É buscar compreensão.
Em vez de perguntar apenas “o que essa criança está fazendo de errado?”, talvez seja mais importante perguntar:
“O que esse comportamento está tentando me dizer?”
Quando aprendemos a olhar para além do comportamento, abrimos espaço para compreender a criança.
E, muitas vezes, ser ouvido no momento certo pode fazer toda a diferença na vida de alguém!
Como psicanalista eu ressalto, que muitas questões que enfrentamos na vida adulta, tem origem na infância.
(*) A autora é Psicóloga, inscrita no CRP/ SP sob o n° 06/113629 atuante desde 2013. Especialista em Psicologia Clínica com título concedido pelo Conselho Federal de Psicologia. Especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica. Especialista em Psicoterapia infantil. Psicanalista. São-carlense e fundadora da Clínica Gianlorenço – Saúde Mental e Física. Contato profissional: WhatsApp 16 997375436
Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Jornal Primeira Página sobre o assunto.








