O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial após declarar à Justiça uma dívida de R$ 265,2 milhões. O pedido foi deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, em mais um capítulo da crise financeira enfrentada pelo grupo nos últimos anos.
A decisão estabelece uma proteção judicial para as empresas do conglomerado, com a suspensão das ações e execuções de cobrança abrangidas pelo processo. O grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação aos credores. A KPMG foi nomeada administradora judicial para acompanhar o processo.
Apesar da recuperação judicial, o Grupo Gennius afirma que as lojas continuam funcionando normalmente, sem alteração no atendimento aos clientes ou na rotina das unidades. O conglomerado reúne centenas de operações e marcas conhecidas no setor de alimentação.
O que levou o grupo à crise?
No processo apresentado à Justiça, o Grupo Gennius aponta uma combinação de fatores que pressionaram suas finanças. Entre eles estão os efeitos econômicos da pandemia entre 2020 e 2022, a mudança no comportamento dos consumidores com o crescimento dos aplicativos de delivery, o aumento dos juros e o encarecimento do crédito.
A empresa também aponta dificuldades relacionadas ao modelo tradicional de grandes lojas físicas. Os custos de aluguel e manutenção desses estabelecimentos passaram a pesar mais diante das transformações no mercado de alimentação.
Outro desafio foi a pressão sobre as margens de lucro. O modelo historicamente adotado pelo Habib’s, baseado em preços baixos e grande volume de vendas, sofreu com o aumento dos custos de alimentos, insumos e despesas operacionais.
Grupo já vinha buscando alternativas
Antes de recorrer à recuperação judicial, o conglomerado tentou negociar com os credores por meio de um processo de mediação. A iniciativa, porém, não foi suficiente para solucionar o problema financeiro, levando o grupo a formalizar o pedido à Justiça no dia 24 de agosto.
A empresa já vinha adotando medidas para reduzir custos e adaptar sua operação, incluindo o fechamento de algumas unidades e a busca por formatos menores, além de maior atenção às operações voltadas ao delivery.
A Justiça, entretanto, negou o pedido para liberar recebíveis de cartões e investimentos que foram oferecidos como garantia fiduciária aos bancos. Com isso, instituições financeiras poderão continuar retendo esses valores para amortizar dívidas garantidas.
Próximos passos
Agora, o principal desafio do Grupo Gennius será apresentar um plano capaz de reorganizar suas dívidas e convencer os credores de que a empresa pode continuar operando de forma sustentável.
A recuperação judicial não significa o fechamento imediato das redes. O objetivo do mecanismo é justamente permitir que empresas em dificuldades financeiras reorganizem seus débitos e mantenham suas atividades enquanto negociam uma saída para a crise.
O processo envolve 178 empresas ligadas ao conglomerado, além dos sócios, e seguirá sob acompanhamento da Justiça e da administradora judicial.








