PAULO MELLO
O Parlamento Jovem de São Carlos aproximou estudantes da rotina do Poder Legislativo e estimulou a elaboração de propostas sobre educação digital, atendimento às mulheres, serviços públicos e proteção de crianças e adolescentes. Participantes da oitava edição relataram, nesta terça-feira, 1º de setembro, a experiência durante entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM 107,9.
A conversa reuniu integrantes da mesa diretora formada pelos próprios estudantes. Maria Clara, da Escola Conde do Pinhal, ocupou a presidência; Ana Beatriz foi a primeira vice-presidente; Manoela, da Escola Jesuíno de Arruda, atuou como segunda vice-presidente; e Arielly, da Escola Luiz Viviani Filho, exerceu a função de secretária. O vereador Gustavo Pozzi (PP) também participou da entrevista.
Os alunos afirmaram que a atividade permitiu compreender etapas como apresentação de projetos, debate, manifestação dos parlamentares e votação. Ana Beatriz contou que imaginava um processo mais simples e percebeu, na prática, que as decisões exigem análise, argumentação e participação coletiva.
Maria Clara afirmou que a presidência da sessão também trouxe um aprendizado sobre responsabilidade e igualdade entre os integrantes do plenário. Segundo ela, dirigir os trabalhos não significa ter maior importância que os demais participantes. “Sentar numa mesa de uma presidência não é só você mandar. Você tem que sentar, ouvir, analisar e ver as propostas que estão ali”, declarou.
Projetos abordaram educação, saúde e serviços públicos
Entre as propostas debatidas está um programa de letramento digital infantil voltado aos estudantes do quinto ano do ensino fundamental. A ideia prevê atividades nas escolas sobre assédio no ambiente virtual, cyberbullying e outros riscos relacionados ao uso da internet.
Outro projeto tratou da criação de um Centro de Especialidades da Mulher. A proposta busca oferecer atendimento e apoio a mulheres vítimas de agressão, abuso ou assédio, evitando que elas tenham de passar pelo Instituto Médico Legal sob o risco de encontrar o possível agressor. Segundo as estudantes, a vereadora Fernanda Castelano (PSOL) demonstrou interesse pelo conteúdo apresentado.

Os participantes também propuseram o aplicativo “Resolve Aí, Prefeito”, identificado pela sigla RAP. A ferramenta permitiria ao cidadão enviar uma fotografia, a localização e a descrição de problemas como buracos nas ruas e falta de iluminação, facilitando a comunicação com a Prefeitura.
Manoela apresentou o projeto Espaço de Escuta Protegida, voltado ao acolhimento de crianças e adolescentes vítimas de bullying, negligência ou outras violações de direitos. A proposta utiliza estruturas públicas já existentes, como escolas, unidades básicas de saúde e centros de Referência de Assistência Social (Cras), para orientar os estudantes e criar canais seguros de atendimento.
Propostas têm caráter pedagógico
Gustavo Pozzi explicou que o Parlamento Jovem tem caráter pedagógico e que nem todas as propostas podem ser apresentadas diretamente por um vereador. Alguns temas são de competência do Poder Executivo, do Governo do Estado ou do Governo Federal. No entanto, ideias relacionadas às atribuições do Legislativo podem ser aproveitadas e formalizadas por parlamentares.
A experiência também alterou a maneira como os estudantes observam a política. Manoela relatou que a participação ajudou a reduzir a timidez e a dificuldade de falar em público. “Além dos conhecimentos que eu vou levar para a vida inteira, melhorou também nas minhas dificuldades pessoais de lidar com o mundo à minha volta”, afirmou.
Ana Beatriz destacou o aprendizado relacionado à redação de projetos de lei e à interpretação da legislação. Arielly, por sua vez, afirmou que a atividade desenvolveu o senso crítico dos participantes, especialmente diante de promessas políticas sem explicações sobre execução, orçamento ou responsabilidade administrativa.
Os estudantes também disseram ter compreendido que prefeitos, governadores e presidentes não administram sozinhos. Projetos e medidas dependem da participação dos parlamentos, que podem aprovar, rejeitar ou modificar as propostas. Para os jovens, esse entendimento ajuda a combater informações falsas e simplificações sobre o funcionamento da política.
Pozzi afirmou que o projeto permite reunir suas experiências como professor e vereador. Segundo ele, mais de 800 estudantes já passaram pela Câmara Municipal por meio da iniciativa. O parlamentar também ressaltou a participação das escolas, dos professores, das equipes gestoras e da Unidade Regional de Ensino na realização do Parlamento Jovem.
Ao final da entrevista, os alunos agradeceram aos professores, diretores, assessores e servidores envolvidos. Para os participantes, a experiência ampliou o conhecimento sobre o Legislativo, fortaleceu a capacidade de argumentação e mostrou que a participação dos jovens pode contribuir para o debate público em São Carlos.








