– Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa – Chico César
– Hipócritas! Bem disse Isaías a vosso respeito: Honras-me com os lábios, mas seus corações estão longe de mim – Mateus 15:7-8
Marco César Aga*
Nos dias atuais com a febre das redes sociais e das fake news e com decisões judiciais que destroem a vida de muitos inocentes e esfarelam a dignidade de muita gente e de muitas famílias, ficamos a meditar sobre como a convicção muitas vezes nos leva a uma conclusão que não é verdade. Hoje além de precisarmos nos preocupar com nós mesmos, do ego que se fantasia de virtude, da certeza que dispensa escutar, da pressa em julgar antes de entender, e ficar atento aos algozes cruéis que sempre aparecem nas redes, temos também que nos preocupar com a maldade de muita “gente boa”. Agora então, época eleitoral, tem gente safadinha vestida de bonitinha querendo nosso dedo teclando seu número a qualquer preço. Alguns usam até uma estória construída ou uma violência disfarçada para nos “fisgar”. Falo da violência educada, do preconceito com boas maneiras, da crueldade que se chama de “opinião” disfarçada de boas intenções e que muda assim que o cara senta na cadeira pública. Sem falar dos julgamentos injustos e da falta de humanidade que permeia nosso sistema e que acaba direcionando nossa opinião e nosso voto sem qualquer cerimônia e sem qualquer senso de responsabilidade. No meio dessa parafernália eleitoral há quem convença com um simples sorriso, mesmo que a boca só propague mentiras, que a vida pregressa seja um escárnio, e que depois se revele um pária, e para isso basta assumir o cargo que pleiteia. Busco me vigiar a todo instante para que escape dessas artimanhas e não seja o carrasco da sociedade com a consciência limpa, nem aquele opressor do voto “bem-intencionado”, que elege mais um a ferir a sociedade dizendo: “mas ele tinha um discurso tão bonito”. Porque, na verdade, o mal raramente se anuncia como mal. Ele costuma falar bonito, andar alinhado e dormir tranquilo, por isso Senhor, protege-nos da maldade de gente boa, aquela que exclui sem gritar, fere com ódio, julga sem critério e destrói acreditando estar fazendo a vontade de Deus. E de nós quando confundimos convicção com verdade e julgamento com caráter. O pior dano não vem de quem sabe que erra, mas de quem machuca com a consciência limpa, dos paladinos da justiça, dos que usam da mentira para ferir e prejudicar apenas para atingir seus objetivos e perpetuar suas opiniões muitas vezes equivocadas. Falo da crueldade polida, do preconceito disfarçado, da violência de uma “canetada”, da injustiça construída por uma decisão administrativa, e sobre verdades disfarçadas que depois não passam de mentiras sórdidas. Tudo se revela depois do pleito eleitoral, porque o pior dano não vem de quem sabe que erra e machuca, mas de quem machuca com a consciência limpa e busca o poder para se locupletar ou simplesmente subjugar o seu próximo. A carinha de anjo só aparece no período eleitoral, depois dele o diabinho desponta sorridente e descompromissado. Basta lembrarmos do Plano Collor. Portanto, Deus nos proteja de nós e da maldade de gente boa, e nos dê sabedoria para errar o menos possível.
*Marco César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.








