A Prefeitura de São Carlos promove até esta sexta-feira, 25, o Dia D – Feirão da Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, na Casa do Trabalhador “Antônio Cabeça Filho”, no Centro da cidade. O evento reúne processos seletivos, orientação profissional e serviços públicos voltados a esse público, com o objetivo declarado de transformar a inclusão em oportunidades concretas de trabalho.
Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff, a proposta vai além do cumprimento de cotas legais. “Esse evento é importante porque ele traz o foco para a pessoa com deficiência para transformar de fato a inclusão em oportunidades, não só de emprego, mas de qualificação, de melhores orientações e de conhecimento dos serviços públicos disponíveis para esse público”, afirmou. Para a secretária, trata-se de inserir de fato esse público no mercado de trabalho, e não apenas preencher exigências formais.
De acordo com Paula Knoff, 16 empresas já haviam depositado cerca de 100 vagas de emprego na Casa do Trabalhador até a manhã de quinta-feira, e cinco delas conduzem seus próprios processos seletivos no local ao longo dos dois dias de evento.
Entre as empresas presentes está a Unimed, que oferece sete vagas, quatro para assistente administrativo, duas para atendente de farmácia e uma para recepcionista. A analista de recrutamento e seleção Jennifer Trevisan explicou que os pré-requisitos são ensino médio completo e conhecimento básico do pacote Office para as funções administrativas, além de familiaridade com sistemas para as posições de atendimento. Segundo ela, a empresa não busca um perfil único, mas valoriza a diversidade: “para a gente é importante que haja uma diversidade, porque é isso que faz o ambiente ficar rico”, disse, acrescentando que a Unimed oferece treinamento interno a todos os contratados.
Já a Paraty Mobilidade concentra suas vagas em funções operacionais e de manutenção — motorista, manobrista, mecânico e eletricista, entre outras. Gabriela Charf Terneiro Rodrigues, representante da empresa, afirmou que a companhia busca profissionais dispostos a aprender e se desenvolver, já que a mão de obra qualificada está escassa mesmo fora do público PCD. Para ela, contratar pessoas com deficiência não deve se resumir ao cumprimento de cotas: “a população busca por uma questão mais humana, e incluir pessoas PCD na empresa vai além disso, mostra que a empresa está disposta a estar presente junto com essas pessoas, a ser uma empresa melhor”.
Além das vagas, o feirão oferece um plantão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para esclarecer dúvidas sobre benefícios previdenciários. A gerente da agência da Previdência Social em São Carlos, Elisângela Lelis da Cunha, destacou que o órgão participa da iniciativa há quase dez anos e que o objetivo é levar informação sobre políticas sociais voltadas à pessoa com deficiência, incluindo o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Auxílio-Inclusão, criado pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI).
Segundo Elisângela, muitos beneficiários do BPC desconhecem que podem trabalhar sem perder totalmente o suporte do governo. Pessoas que recebem o BPC podem pedir o Auxílio-Inclusão caso consigam emprego com renda de até dois salários mínimos, desde que a avaliação socioeconômica da família permaneça dentro dos critérios do benefício original. Nesse caso, o BPC é suspenso e substituído pelo Auxílio-Inclusão, equivalente a meio salário mínimo, que pode ser somado à renda do trabalho. “Essa legislação é justamente para incentivar as pessoas com deficiência a ingressar no mercado de trabalho”, explicou, acrescentando que a regra permite que o trabalhador avance na carreira sem depender de benefícios assistenciais.
Representando a ONG Espaço Azul, Rosemary Fernandes chamou atenção para uma desigualdade dentro do próprio universo da inclusão: segundo ela, mesmo com a existência de cotas, empresas costumam priorizar a contratação de pessoas com deficiência física, deixando em segundo plano candidatos com deficiência intelectual ou Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Eles são profissionais super focados, gostam de cumprir tarefa, são super centrados. É uma perda de oportunidade não contratar uma pessoa com autismo”, afirmou. Para ela, eventos como o Dia D são essenciais para dar visibilidade tanto a candidatos quanto a empregadores.
Programação de sexta
O feirão funciona das 9h às 16h30, na Avenida São Carlos, nº 1.839, no Centro. Além das vagas de emprego, o público tem acesso a orientação para elaboração de currículo, emissão da Carteira de Trabalho Digital, atendimento do Banco do Povo, serviços ao microempreendedor individual (MEI) e emissão do Cartão Mais Acesso. A programação inclui ainda palestras sobre autismo, BPC/LOAS, reabilitação profissional e inclusão no ambiente de trabalho, além de atividades culturais.
Nesta sexta-feira (25), três novas empresas se somam à programação de vagas: a Adoro atende das 9h às 11h, seguida pela HDL das 14h às 16h30. A IN HAUS oferece vagas das 9h às 12h, e a Unimed retorna à tarde, das 13h às 16h30.
O plantão do INSS se estende por todo o dia, das 9h às 16h30, e o SEBRAE participa pela primeira vez com orientação sobre empreendedorismo para pessoas com deficiência, das 14h às 16h30. A Secretaria Municipal da Saúde mantém a vacinação, e o atendimento jurídico é oferecido das 9h às 11h.
As palestras trazem a Liga Central de Natação, com “Natação Paralímpica e suas Classes”, às 9h40; o programa municipal PEI, apresentado por Patrícia Mayara Pereira às 10h30; e, à tarde, o INSS retoma o tema previdenciário com “Aposentadoria da Pessoa com Deficiência por Idade e por Tempo (LC 142/2013) e Reabilitação Profissional”, com Elisângela Lelis da Cunha e a terapeuta ocupacional Samirian Viviani Grimberg. O evento se encerra às 15h30 com apresentação da banda da APAE.








