Canteiros de Obras

El Niño reforça necessidade de planejamento

Eugene Yemelyanov

A chegada do El Niño, fenômeno que pode aumentar a imprevisibilidade das condições climáticas, reforça, no Estado de São Paulo, a importância do planejamento das obras e do acompanhamento das previsões meteorológicas. Entre as atividades mais impactadas estão as realizadas a céu aberto e que dependem de condições adequadas de tempo, como preparação e nivelamento de terrenos, escavações e algumas etapas das fundações. Nessas situações, a avaliação das condições climáticas também é fundamental para preservar a segurança dos trabalhadores e do entorno dos canteiros.

Segundo o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, as empresas do setor já estão preparadas para lidar com diferentes condições de tempo. “A construção civil trabalha permanentemente com planejamento e gestão de riscos. Diante de condições climáticas mais imprevisíveis, é fundamental ampliar a capacidade de antecipação, sempre preservando a segurança dos trabalhadores, do entorno e a continuidade possível das atividades”, afirma.

Segundo Francisco Vasconcellos Neto, vice-presidente de Meio Ambiente do SindusCon-SP, o principal cuidado diante do El Niño é acompanhar as previsões meteorológicas e os alertas da Defesa Civil com a maior antecedência possível. “Quando há previsão de condições adversas, as empresas podem antecipar atividades mais sensíveis e reorganizar o cronograma de acordo com as condições esperadas”, explica. O acompanhamento das condições meteorológicas e a incorporação do risco climático ao planejamento são apontados como medidas importantes para reduzir paralisações e seus efeitos sobre prazos e custos.

Independentemente da ocorrência do El Niño, as construtoras associadas ao SindusCon-SP já adotam procedimentos para lidar com as variações meteorológicas durante a execução das obras. O acompanhamento das previsões permite antecipar decisões, organizar as atividades e adequar os cronogramas às condições esperadas, mantendo como prioridade a segurança dos trabalhadores.

A partir desse acompanhamento, os canteiros podem ser preparados para situações de ventos fortes. Eduardo Zaidan, presidente executivo do SindusCon-SP, destaca medidas como o reforço das amarrações de telas de proteção e de materiais que possam se deslocar com o vento. “As gruas possuem sensores que registram a velocidade do vento e, quando os limites de segurança são atingidos, não podem ser utilizadas. Da mesma forma, atividades em altura são interrompidas quando as condições não são seguras”, afirma. A preparação para ventos fortes também envolve atenção a materiais soltos, telas de fachada, andaimes, trabalhos em altura e equipamentos de içamento.

Zaidan também explica que as condições climáticas adversas podem afetar o cronograma, a produtividade e os custos dos empreendimentos. “Quando uma atividade precisa ser interrompida ou reprogramada, podem surgir impactos no cronograma, na produtividade e nos custos da obra. Por isso, o planejamento antecipado é importante para reduzir possíveis prejuízos e dar maior previsibilidade à execução dos empreendimentos.

O clima, observa Fernando Junqueira, não é apenas mais uma variável externa à obra. “Interfere diretamente na sequência das atividades e, por isso, está no planejamento desde o início. Quanto maior a capacidade de antecipar cenários e reorganizar a execução, menor a necessidade de tomar decisões de emergência no canteiro e maiores as condições de preservar segurança, produtividade e prazo”, explica Junqueira, que é diretor da Regional Ribeirão Preto do SindusCon-SP.

A construção industrializada também pode contribuir nesse sentido, ao permitir que parte dos elementos, como painéis de parede, estruturas metálicas ou de concreto, lajes e vigas e módulos, seja produzida fora do canteiro, reduzindo a exposição ao mau tempo. Ainda assim, a instalação desses elementos depende das condições de segurança no local”, afirma Zaidan.

SINDUSCON-SP

É a maior associação de empresas da indústria da construção na América Latina. Congrega aproximadamente 300 construtoras associadas e representa cerca de 50 mil empresas de construção residencial, industrial, comercial, obras de infraestrutura e habitação popular, localizadas no estado de São Paulo. Com sede na capital paulista, possui nove diretorias regionais: Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, Santo André, S. José do Rio Preto, S. José dos Campos, Sorocaba e uma delegacia em Mogi das Cruzes. A construção civil representa 3,6% do PIB do Brasil (IBGE/CBIC), e a construção paulista constitui 27,6% da construção brasileira (IBGE).

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