Guilherme Jeronymo/Agência Brasil
A Câmara Municipal de São Paulo votou na quarta-feira (5) projeto de lei proposto pelo Executivo que torna a obra do cartunista Mauricio de Sousa, criador da Turma de Mônica, patrimônio cultural imaterial da cidade. O projeto foi aprovado por unanimidade e em votação simbólica, prestando homenagem ao paulista de Santa Isabel, que fez 90 anos no último dia 27.
“Ao longo de sua extensa trajetória artística, a criação do autor se tornou elemento representativo da memória cultural da população, influenciando gerações e difundindo valores educativos, sociais e inclusivos. A Mauricio de Sousa Produções, sediada na cidade de São Paulo desde 1960, contribui de forma permanente para o desenvolvimento cultural e econômico do município”, menciona o projeto.
A homenagem reconhece a importância e a relação da extensa obra de Mauricio com a cidade, cenário e inspiração para personagens ao longo dos mais de 60 anos de criações do artista, morador da capital.
Em nota, a prefeitura afirmou que “com a aprovação do projeto, São Paulo consolida o reconhecimento institucional da obra de Maurício como patrimônio coletivo, reafirmando o papel das artes gráficas e da narrativa popular na formação cultural da cidade e do país. O ato representa não apenas homenagem ao cartunista, mas também uma valorização da cultura voltada à infância, à leitura e à criatividade”.
“ACHO QUE NÃO SAÍ DA MINHA INFÂNCIA AINDA”
O mais famoso e premiado cartunista brasileiro, Maurício de Sousa, foi entrevistado no programa Conversa com Roseann Kennedy na TV Brasil. Maurício de Sousa recebeu a equipe do programa na sede dos seus estúdios, em São Paulo, onde trabalham mais de 300 desenhistas e roteiristas.
Ele começou a fazer quadrinhos profissionalmente há quase 60 anos. Os primeiros personagens foram Bidu e seu dono Franjinha. A revista da Mônica foi lançada em 1970 e a turma não parou de crescer.
“Estamos chegando à quinta geração de leitores e acho que com isso nós alfabetizamos milhões de brasileiros com a cartilha informal que é a revista da Turma da Mônica”. Atualmente, entre quadrinhos e tiras de jornais, as criações de Maurício chegam a cerca de 50 países, com 1 bilhão de revistas publicadas, álbuns de figurinhas e livros.
As obras do cartunista representam quase 85% do mercado de publicações infantojuvenis. “Isso é um recorde em qualquer lugar do mundo. E não é segredo. O pessoal pode vir aqui que eu explico como é”, afirma Maurício, que costuma receber desenhistas novatos e fazer conferências sobre o seu trabalho.
No programa, o público pode ver a genialidade do artista, que tem como aliados a criatividade, o senso de oportunidade e uma alma de criança. “Eu acho que não saí da minha infância ainda. Eu era bem o Chico Bento. Morava em Mogi das Cruzes. Como eu tive essa infância tão gostosa não quero podá-la, deixar de tê-la junto comigo”, revela.
