Artigo

Defender o SUS é defender a vida

Azuaite Martins de França

É preciso reafirmar, com toda a convicção, uma verdade que por vezes se perde em meio a críticas apressadas e análises incompletas: quem ataca o Sistema Único de Saúde, na prática, está mirando no alvo errado. O SUS não é o problema — é parte essencial da solução. Em vez de bater no sistema, deveríamos defendê-lo, fortalecê-lo e compreendê-lo como uma das maiores conquistas civilizatórias do Brasil contemporâneo.

Basta olhar para países onde a saúde não é um direito universal para entender o que isso significa. Quando a garantia do acesso depende exclusivamente da capacidade de pagamento, os mais pobres passam a ter poucas alternativas — ou simplesmente não têm nenhuma. A saúde torna-se privilégio, e não direito. E quando a saúde vira privilégio, vidas são perdidas não por falta de tecnologia ou conhecimento, mas por falta de justiça social. O SUS, com todas as suas dificuldades, impede que isso aconteça em nosso país.

É evidente que o Sistema Único de Saúde precisa aprimorar-se continuamente. Nenhuma política pública é perfeita ou definitiva. Mas para que haja aprimoramento real, o SUS precisa, antes de tudo, de apoio — apoio da sociedade, que dele se beneficia diariamente, e apoio dos representantes do povo no parlamento e nos executivos, que têm a responsabilidade de garantir financiamento adequado, gestão eficiente e respeito ao caráter universal da política de saúde.

O SUS não nasceu por acaso. Ele foi construído a partir de décadas de debates, reflexões e mobilizações que antecederam a Constituinte de 1988. A Constituição apenas abriu o espaço para que essa visão humanista e democrática se tornasse realidade institucional. E, desde então, o sistema avança, consolidando-se como uma das mais bem desenhadas políticas de saúde pública do mundo.

Defender o SUS é, portanto, defender a vida, defender a dignidade humana, defender o princípio de que nenhum brasileiro deve ser deixado para trás quando se trata de saúde. O futuro do SUS depende de nós — de nossa consciência, de nossa mobilização e de nossa capacidade de enxergar que, sem ele, o país seria imensamente mais desigual e injusto.

 

 

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