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Qual corpo merece ir à praia? E qual corpo é respeitado ali?

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O mês de janeiro no Brasil é de verão intenso e altas temperaturas. Assim, várias pessoas aproveitam para viajar a alguma praia, nadar com amigos, fazer esportes aquáticos ou usar roupas mais leves.

Porém, para muitas destas que desejam aproveitar esse período, há uma preocupação que ronda a mente: a de serem desrespeitadas ou até mesmo agredidas. Seja de forma verbal, psicológica, física ou sexual.

Já que nestes casos há indivíduos que se sentem no direito de categorizar os outros e assim fazer o que bem entenderem com eles. Seja constranger, humilhar, abusar ou violentar. Tudo sob a justificativa que estão “no local errado” ou “se expondo demais”.

Isto ocorre devido à ideia de se poder controlar outra pessoa como se bem entende. Usando de preconceitos de classe social, cor da pele, idade, padrões de beleza ou sexo biológico como justificativas para tal.

Porém, na verdade, isto está enraizado em questões psíquicas, como: narcisismo e insegurança sobre si. E dependendo de quão difícil for entrar em contato com isso, podem existir casos de resposta perversa ou violenta.

Por exemplo, numa praia, um homem que considera que seu corpo é o único padrão de corpo válido e bonito, poderá se sentir no direito de desprezar e humilhar uma mulher que não esteja no peso que ele julgue bom. Ou, alguém ao ver um casal de pessoas com tons de pele diferentes, ou com piercings e tatuagens, ou homossexual e sentir-se no direito de agredi-los de alguma forma.

Em ambos os casos, essa pessoa narcisista e insegura tem dificuldade de lidar com alguém “diferente” de si ou que diverge do que se quer ser na sociedade. E, como consequência, busca: desvalorizar pela crítica, humilhação ou toque; e também exterminar pelo abuso e violência.

É uma tentativa de se tomar total controle sobre aquilo o qual não se suporta, de lidar pela perversão e agressão. Pois, ao descategorizar aquele que traz insegurança, se mata a ameaça.

Não importando o quanto isso machuque os outros, seja por falas ou pela morte. Como resultado, há casos de gordofobia, violência de gênero, abuso sexual, racismo e homofobia. Os quais resultam em medos, traumas e transtornos para várias pessoas, que apenas buscavam aproveitar o verão.

Nesta lógica, só o corpo do narcisista inseguro, do preconceituoso é o digno de respeito, digno de frequentar todos os lugares, de dominar a imagem de uma praia.

Tendo isto em mente, o papel da psicologia e do psicólogo especializado é de grande importância.

Tanto para entender esses fenômenos e propor estratégias de ação e resolução amplas, como políticas públicas adequadas. Quanto para que aqueles que são vítimas dessas violências ou acabam ficando inseguras pela sua possibilidade possam, através da terapia, buscar ajuda, acolhimento e se fortalecer para enfrentar tais situações de forma funcional, segura e saudável.

Ademais, para que as pessoas que sofrem com seus preconceitos internalizados possam buscar uma resolução saudável para tal.

 

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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