Marcos Escrivani
Em um momento cheio de ternura e emoção, Maria Vitória Campos, a Mavi, de 15 anos, realizou sua primeira Eucaristia na Paróquia São João Paulo II, no Jardim Embaré, em São Carlos. A celebração, conduzida pelo padre Juliano, teve um toque especial: a comunicação foi feita em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), garantindo que Mavi, que é surda e autista, pudesse participar plenamente de cada momento.
Mavi e sua mãe, Dayane Fernanda Rodrigues Campos, são torcedoras do Corinthians, e a família celebrou a ocasião com ainda mais alegria e emoção. Mavi é coroinha, devota de Nossa Senhora Aparecida e frequenta as missas regularmente, além de ter participado do encontro de jovens da paróquia. Graças ao curso de LIBRAS oferecido desde 2024 para frequentadores da igreja, a jovem pôde receber atenção e inclusão total durante a cerimônia.
Mavi recebeu sua primeira comunhão em uma celebração ocorrida no dia 24 de novembro do ano passado. Mas a mamãe Dayane fez um vídeo dela vestida como coroinha e postou em seu Instagram. A postagem viralizou e emocionou a comunidade são-carlense.
Sua mãe, enfermeira da Saúde Mental Infantojuvenil, emocionou-se ao relatar a importância do momento: “Me sinto agradecida pelos irmãos da paróquia, eles são especiais. Nestes 15 anos, essa foi a primeira vez que sentimos tanto acolhimento por uma comunidade.”
Dayane explicou que, desde pequena, Mavi utiliza a língua de sinais, inicialmente em escolas municipais e estaduais, mas que atualmente a família busca uma escola particular para ela dar sequência aos estudos, por conta das limitações no suporte a crianças autistas no município.
Sobre o sonho de Mavi, a jovem revelou que deseja seguir a profissão da mãe e se tornar enfermeira, ou então trabalhar como veterinária, pois ama os animais.
Quando perguntada sobre como se sente ao concretizar sua primeira comunhão e sua vivência como jovem religiosa e cidadã, Mavi respondeu com suas próprias palavras, cheias de sinceridade e emoção: “Eu Maria Vitória feliz padre libras sim melhor sinto igreja verdade”. “Lutar sempre, língua de sinais direito surdos sim mamãe luta sempre”.
O gesto do padre, dos acólitos e dos coroinhas, que se empenharam em se comunicar em LIBRAS, representou muito mais do que a celebração de um sacramento: foi uma lição de empatia, inclusão e amor puro, mostrando que cada pessoa merece ser parte ativa da comunidade, independente de suas diferenças.
