No dia 18 de janeiro de 2026, um ex-participante do programa BBB (Big Brother Brasil) cercou uma participante em ambiente fechado, agarrou seu pescoço e tentou forçar um beijo sem o consentimento da mesma. Devido a esse episódio, ele está sendo acusado e investigado pelo crime de importunação sexual.
Após a saída dele do reality show, começaram a ser divulgadas informações, pela família do mesmo. Que o ocorrido seria em razão de um “surto psicótico”. E que, portanto, ele não poderia ser responsabilizado pelo ato.
Na mídia esta é uma estratégia de defesa comum. Pois se busca que o acusado seja considerado isento da pena ou que a pena seja reduzida e cumprida fora de um presídio. Mas quais as implicações para as pessoas que enfrentam transtornos mentais no dia a dia?
A Psicologia traz dados científicos e informativos de que um surto psicótico ocorre como uma defesa. Isso a episódios aos quais o psiquismo do indivíduo não é capaz de enfrentar. Então, a mente da pessoa descola da realidade.
Devido a isto, há sintomas como: desorientação (pensamentos e falas desorganizados), sentimento de perseguição, delírios de grandeza, ouvir de vozes persecutórias e agressivas, confusão mental, isolamento e medo, dificuldade motora e piora da higiene (devido a desconexão da mente com o próprio corpo).
Desta forma, o mais comum nestes casos é a autoagressão (atos contra si mesmo), como tentativa de sair dessa angústia e persecutoriedade. Sendo que episódios agressivos contra outros são comumente na tentativa de autodefesa da pessoa em surto.
Porém, como há aqueles que usam de nomes e transtornos da saúde mental como falsa defesa jurídica para várias acusações a crimes sérios, a população geral que busca cuidar de si, acaba por ser estigmatizada como “possivelmente criminosa”. Já que se associam na mídia os termos e categorizações de cuidado a tais casos criminosos.
Como prova ilustrativa, há o estudo “Transtornos mentais na criminalidade” (2019), que comparou a relação, em números, da criminalidade e transtornos mentais no Brasil. Provando que apenas 0,41% da população carcerária do país apresenta algum transtorno psicológico comprovado.
E, que tal grupo de infratores com transtornos possui menor reincidência de infrações que o grupo geral. Porém, ficou evidente que o senso comum é de que a maioria das pessoas com “doenças mentais” comete crimes e são perigosas.
Tendo tais questões em mente, o papel do psicólogo é feito em duas frentes. Primeiro de informação e combate ao preconceito. E, segundo, de poder tratar, através da psicoterapia, as pessoas que buscam uma melhor saúde mental e sofrem tais estigmas.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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