Médicos de cinco municípios da chamada Região Coração participaram, nesta sexta-feira (23/01), de uma Oficina de Atualização em Arboviroses, realizada em São Carlos. A capacitação foi promovida pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-III) de Araraquara e reuniu profissionais de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.
A oficina teve como foco a atualização dos protocolos clínicos para o manejo das arboviroses, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, chikungunya e zika. A atividade ocorre anualmente e, neste ano, foi organizada por regiões de saúde, permitindo uma abordagem mais direcionada à realidade local.
A representante do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE-12) de Araraquara, Viviane da Rocha Sousa, explicou que a capacitação abordou os novos protocolos clínicos adotados nas unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais. Segundo ela, é fundamental reforçar que as arboviroses envolvem um conjunto de doenças, e não apenas a dengue.
Entre as principais atualizações, Viviane destacou mudanças no protocolo de hidratação dos pacientes, que agora estabelece a recomendação de 60 mililitros por quilo, exigindo atenção especial no atendimento de crianças, idosos e pessoas com comorbidades, considerados grupos mais vulneráveis.
Ela também alertou para o aumento no número de casos, influenciado diretamente pelas condições climáticas. Sobre a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, informou que, até o momento, a imunização segue restrita à faixa etária de 10 a 14 anos, sem definição para ampliação. Assim, a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito.
O médico Leonardo Vinícius de Moraes ressaltou a importância da atualização dos protocolos, especialmente neste período do ano, marcado por chuvas e altas temperaturas, que favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Segundo ele, doenças como dengue, chikungunya e zika aumentam significativamente a procura por atendimento médico, o que reforça a necessidade de capacitação contínua dos profissionais.
Leonardo explicou ainda que, embora não tenham ocorrido mudanças expressivas nos protocolos em relação ao ano anterior, a atualização é essencial para garantir qualidade e segurança no atendimento, especialmente para os profissionais que atuam na linha de frente.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destacou que o objetivo da capacitação foi atualizar os profissionais sobre o cenário epidemiológico atual e o manejo clínico adequado dos pacientes, garantindo um atendimento mais eficiente aos usuários do sistema público de saúde.
Segundo ela, as equipes seguem atuando de forma permanente no enfrentamento ao mosquito transmissor, com ações diárias de recolhimento de materiais inservíveis, realizadas por agentes de endemias em conjunto com equipes de conservação urbana. Atualmente, cerca de um caminhão de materiais é recolhido por dia nas residências do município.
Denise lembrou ainda que estudos do Governo do Estado indicam que aproximadamente 80% dos focos do mosquito estão dentro dos domicílios, dado que também vem sendo confirmado em São Carlos. O cenário reforça a importância da vistoria regular de quintais e eliminação de recipientes que possam acumular água.
Situação epidemiológica
Em 2026, São Carlos já registrou 19 casos confirmados de dengue, um em investigação e 39 descartados, sem óbitos até o momento. Não houve registros de casos de chikungunya, zika ou febre amarela neste ano.
Em 2025, o município contabilizou 20.429 casos positivos de dengue, com 24 óbitos confirmados. No mesmo período, foram registrados cinco casos de chikungunya, nenhum de zika e três notificações de febre amarela, com um óbito confirmado.
