Renan Monteiro e Flávia Said/AE
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a comentar que sua saída do ministério deve ocorrer em fevereiro e evitou cravar o nome do secretário-executivo da Pasta, Dario Durigan, como seu sucessor. Ele disse que cabe ao presidente fazer o anúncio. “O mês de fevereiro, com certeza”, declarou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.
“Dario sempre serviu a governo progressistas. Ele ter passado pelo mercado é ponto para ele, significa que ele traz para o setor público o conhecimento de como funciona setores relevantes Ele tem um conhecimento realmente abrangente, uma pessoa de formação muito sólida”, declarou.
A mudança na equipe econômica ainda depende da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Haddad reafirmou isso e reconheceu que há outros perfis que podem ser cotados para a Fazenda. “Dentro do PT tem muita gente que pode se colocar”, disse. O ministro negou eventual resistência ao nome de Dario dentro do Partido dos Trabalhadores.
Anteriormente Haddad já havia sinalizado que pretende deixar a Fazenda em fevereiro, para contribuir com a campanha à reeleição de Lula. Diversos ministros devem anunciar em breve suas saídas para disputar as eleições.
SELIC
Haddad afirmou que a esperada trajetória de queda na taxa básica de juros deve levar o indicador da dívida pública para um patamar “razoável”. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, por decisão unânime. O colegiado indicou, contudo, que deve começar o processo de corte na próxima reunião, em março.
Em entrevista ao portal Metrópoles, o ministro ponderou que a taxa de juros atual está em patamar “incompatível com a estabilidade da dívida”.
Pelo último balanço, a dívida bruta do Governo Geral subiu para 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro passado. Em outubro, ela estava em 78,4%.
Pesou nesse aumento os juros nominais apropriados, as emissões líquidas de dívida e a variação do PIB nominal.
Haddad negou que esse crescimento tenha sido causado pelo déficit primário, ao mencionar que houve redução exponencial nesse parâmetro entre despesas e receitas na atual gestão.
“Se o aumento da dívida tivesse a ver com déficit primário, em 2020 teria explodido, quando foi gasto 25% do PIB para combater a pandemia e morreram 700 mil pessoas porque não sabiam o que fazer com o dinheiro”, declarou em críticas ao governo anterior.
DURIGAN
Haddad indicou o nome do secretário-executivo, Dario Durigan, para assumir o comando da pasta para quando o ministro da Fazenda deixar o cargo. Como Haddad afirmou, ainda não há data definida para que a troca seja efetivada.
O ministro da Fazenda também tenta construir a indicação do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, para a função que hoje é exercida por Dario Durigan.
