Psicologia em Foco

Carnaval, racismo e suicídio

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Na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, Manoel Neto Rocha, um homem negro de 32 anos tirou a própria vida. Momentos antes, Manoel, que também era psicólogo, publicou uma carta em suas redes sociais relatando ter sido alvo de racismo. Sofrido em um camarote, durante o carnaval em Salvador/BA.

Em seu relato, se destacaram alguns pontos importantes que permitem entender o peso do racismo na vida de uma pessoa negra e como esse preconceito traz inúmeros sofrimentos. Em primeiro lugar, Manoel relembrou de que, mesmo tendo dinheiro, títulos ou sucesso, os outros ainda viam a ele e a outras pessoas negras, como deslegitimado para frequentar vários espaços. Mas que eram aceitos desde que fossem empregados ou colaboradores.

Segundo que, o racista, ao decidir pedir desculpas por pressão de terceiros e dos seguranças do local, já havia desumanizado o psicólogo. Pois, havia usado de forma ativa e consciente da intimidação física (após constatar a aparência e cor da pele da vítima) para impedir Manoel de transitar em um local que era de direito da vítima.

E, em terceiro, fica escrachado como a educação e cordialidade de um homem negro foram totalmente ignorados. E somente quando ele foi forçado, segundo o relato, a assumir o papel de uma pessoa negra e agressiva, foi visto como uma pessoa. Já que era somente assim que era lido socialmente, apenas assim que era ouvido e respeitado, que lhe deixavam existir.

A Psicologia já evidenciou repetidas vezes que não há e nunca houve uma base biológica para o racismo. E, que esta forma de preconceito é uma construção social datada, com raízes em pensamentos históricos de teor escravocrata e higienista. Cuja estrutura social busca colocar algumas pessoas como menos merecedoras ou capazes apenas pela cor de sua pele.

Ademais, o racismo (que é crime no Brasil) não deixa de causar enorme sofrimento a saúde mental de diversas pessoas. Isso porque, resulta em: diversos tipos de humilhações, traumas, violências físicas, sexuais e psicológicas, impedimentos de acesso a espaços de saúde, empregos, educação e também em transtornos mentais como a depressão, de autoimagem e ideações suicidas em suas vítimas.

Tendo estas questões em mente, é preciso que a psicoterapia seja um espaço de saúde de acolhimento ético e antirracista. Pois, assim será possível se impedir a repetição de padrões de preconceito, de discriminação, se criar estratégias de enfrentamento, se fortalecer para denúncias, entender melhor sobre traumas, da própria saúde e buscar a criação de uma identidade saudável, possível e funcional em que se seja respeitado por quem se é. Para que o sofrimento de uma vida não se torne insuportável.

 

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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