A Câmara Municipal de São Carlos sediou, na tarde da última quinta-feira, 11, uma audiência pública para discutir as condições da população em situação de rua e as políticas públicas voltadas a esse público. A iniciativa, proposta pelo vereador Edson Ferraz, reuniu representantes do Executivo, Legislativo, forças de segurança, entidades sociais, área da saúde e sociedade civil.
Durante o encontro, foram debatidas ações nas áreas de assistência social, saúde, segurança, acolhimento e alimentação, além dos principais desafios enfrentados pelo município no atendimento à população vulnerável.
O secretário de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, Michael Yabuki, destacou a necessidade de diferenciar pessoas em situação de vulnerabilidade daquelas que utilizam esse contexto para a prática de crimes. Segundo ele, em 2025 foram registradas oito prisões envolvendo pessoas abordadas pelas equipes — uma por tráfico de drogas, quatro por furto e três de indivíduos procurados pela Justiça. Em 2026, a Guarda Municipal já realizou mais de 330 atendimentos, com cinco prisões.
Na área da saúde mental, a coordenadora do CAPS, Carmem Lúcia Pereira, ressaltou que o uso de substâncias psicoativas, em muitos casos, está ligado à tentativa de enfrentar situações extremas, como frio, fome e violência. O serviço realizou mais de 15 mil atendimentos no último quadrimestre, com acompanhamento de cerca de 50 pessoas em situação de rua no último ano, em articulação com o Centro POP.
A secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Gisele Santucci, classificou o tema como complexo e destacou os serviços disponíveis no município: o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que atua nas ruas com busca ativa; o Centro POP, com atendimento diurno, alimentação e suporte para documentação; e a Casa de Passagem, que oferece acolhimento noturno.
Ela reforçou que o acolhimento é voluntário. “O município não pode obrigar ninguém a ser acolhido. É uma decisão da própria pessoa”, explicou.
Entre os avanços apresentados, está a ampliação das equipes de educadores sociais, por meio de parceria com a Cáritas Diocesana, e a retomada do comitê de acompanhamento das políticas públicas no segundo semestre.
Outro destaque foi a reorganização da Casa de Passagem, que atualmente conta com alas masculina, feminina e para população trans — sendo São Carlos uma das poucas cidades do Estado a oferecer esse tipo de estrutura.
Também foi anunciada a fase final das obras dos restaurantes populares, que devem ser reabertos em breve. A proposta prevê gratuidade para públicos em situação de vulnerabilidade, como beneficiários de programas sociais e pessoas encaminhadas pelos serviços socioassistenciais.
A audiência reforçou a importância do diálogo entre diferentes setores e da construção de políticas integradas para enfrentar um problema que impacta toda a sociedade.








