Quarta-feira, 24 Janeiro 2018  03:36:09

Indústria de São Carlos busca recuperação em 2018

  • Escrito por  Da redação

O setor fabril de São Carlos espera recuperar sua tradicional força. O parque industrial amargou, nos últimos anos, a perda de rentabilidade e também de mercados e de empregos. Em 2017, entre janeiro e novembro, o segmento fechou 347 vagas. Neste período foram registradas 3.501 contratações contra 3.848 demissões. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), índice que mede o emprego formal no Brasil.  Houve demissões em várias empresas do ramo industrial, mas algumas, como a Fabber Castell demitiu em massa, cortando cerca de 300 postos de trabalho.

Os números da área industrial de São Carlos são os piores de toda a região. Segundo os dados do Caged, o setor industrial de Araraquara com fortes ligações com o agronegócio, por exemplo, admitiu 4.007 trabalhadores nos 11 primeiros meses do ano passado e cortou outros 3.744, obtendo saldo positivo de 263 vagas.

Em Ibaté, centro sucroalcooleiro e que abriga a Usina da Serra do grupo Raízen, houve 797 contratações entre janeiro e novembro de 2017 e 667 desligamentos, com saldo positivo de 112 empregos. Porto Ferreira, capital da cerâmica artística, registrou a geração de 166 postos de trabalho, diferença entre 1.641 admissões e 1.475 demissões. Descalvado, forte no setor de mineração e de avicultura, houve, no mesmo período a criação de 122 vagas. Naquele município nos primeiros 11 meses de 2017 foram contratados 719 trabalhadores no setor fabril e desligados outros 597.

Apesar do otimismo de lideranças do setor industrial, uma medida do governo poderá atrapalhar os planos das empresas. O Governo Federal pretende aprovar este ano o projeto que reonera a folha de pagamento das empresas ao retirar benefícios fiscais de vários setores da economia. O objetivo do presidente Michel Temer é o de aumentar a arrecadação do governo federal, e com isso acabar com um dos pontos da política tributária do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, conhecida como desoneração tributária, que substituía a contribuição social sobre a folha de pagamento das empresas por uma contribuição previdenciária baseada na receita bruta.

Esta possiblidade, por exemplo, preocupa muito a Tecumseh do Brasil, empresa sediada em São Carlos e que produz compressores herméticos para refrigeração comercial e doméstica e também componentes eletroeletrônicos.  A empresa, que gera 2.600 empregos diretos além de milhares de outros indiretos com terceirizadas nas áreas de segurança, transportes, alimentação e limpeza entre outros, teme que este novo custo fixo possa gerar sérias dificuldades num futuro próximo.

“Caso a reoneração se confirmar será um problema muito sério não só para a Tecumseh, mas para grande parte das empresas brasileiras. A desoneração, feita em 2012, representou um grande alívio para o setor industrial. Infelizmente existe a possibilidade de a reoneração voltar em 2018. É um problema muito grave, pois estamos realizando nosso planejamento de 2018 e não podemos incluir um custo como este  nos nossos planos”, afirma o diretor de Recursos Humanos da Tecumseh, Antonio Sasso Garcia Filho.

Segundo o executivo, a reoneração poderá se tornar um grande entrave para a retomada do crescimento econômica. “O momento não é propício para se aumentar tributação. Tenho certeza de que este novo custo será um entrave para que o país possa voltar a crescer. Afinal, vivemos a maior crise institucional, econômica e política da história do país”, explica Sasso.

A Tecumseh, que desde setembro de 2015 é comandada por um novo grupo empresarial vive um momento de estabilidade. Segundo Sasso a Tecumseh continua com grande independência para atuar no seu mercado. “No momento não temos previsão de grandes investimentos. Porém, por outro lado, não temos previsão de demissões e redução de atividades”.

PERSPECTIVAS OTIMISTAS, MAS SOB RISCOS – Para o empresário da empresa Prominas,  Ubiraci Moreno Pires Corrêa, as expectativas para 2018 são positivas. “A economia deverá crescer entre 3% a 3,5%. Mas vamos ainda levar 4 anos para voltar as patamares de 2013”, analisa ele. Segundo Ubiraci o perigo para a economia será a política. “Infelizmente temos eleições este ano e aventureiros como Lula, Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia podem atrapalhar tudo. Além disso ainda temos o risco do presidente Michel Temer tentar a reeleição para manter o foro privilegiado”.  

Outro entrave para a economia, segundo Ubiraci poderá ser a “infeliz” ideia da reoneração. “É mais um pouco do mesmo. O governo só pensa em arrecadação, mas não faz o dever de casa ou não quer mesmo fazer economia. Assim, a indústria brasileira vai se tornando cada vez menos competitiva no mercado internacional. Com tais medidas o que o governo faz é conseguir, gradualmente, ir fechando mais e mais postos de trabalho”, lamenta o empreendedor.

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