Segunda-feira, 21 Maio 2018  05:04:28

Juros continuam elevadíssimos no Brasil

  • Escrito por  Leandro Severo, especial para o Primeira Página

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, reduziu em 0,25 ponto percentual a taxa Selic. Com o anúncio, realizado nesta quarta-feira (7), os juros oficiais passaram para 6,75% ao ano, a menor taxa nominal desde 1986.

 

Ainda assim, a taxa de juros real (a taxa de juros nominal menos a inflação) brasileira continua sendo uma das mais altas do planeta, somente atrás de Argentina, Turquia, Rússia e México.

Além disso, a redução da taxa Selic não tem refletido na taxa de juros cobrada pelo sistema financeiro no conjunto de operações de crédito, o que mantém a economia brasileira estagnada.

Entre os maiores juros do mundo

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) “isso adianta muito pouco, porque os juros para o tomador final no Brasil ainda estão entre os maiores do mundo”.

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) a redução terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito, “este fato ocorre uma vez que existe um descolamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores, que na média da pessoa física atingem 133,61% ao ano, provocando uma variação de mais de 1.800% entre as duas pontas”.

Com a variação de 0,25% os juros anuais do comércio passam de 89,04% para 88,61%; no Cartão de Crédito de 321% para 320,74%; no Cheque especial de 295,48% para 294,64%; no financiamento de veículos de 26,97% para 26,68%; no empréstimo pessoal de financeiras de 137,91% para 137,38%. Ou seja, uma diminuição quase imperceptível.

Como exemplo, a Anefac demonstra simulações que em um financiamento no comércio de R$ 1.500 o valor a ser pago anualmente passaria R$ 2.082,72 para R$2.080,40, uma redução de apenas R$ 2,32. Para o cheque especial, em uma operação de R$ 1.000 por vinte dias, o valor dos juros cairia de R$ 80,93 para R$ 80,00, com uma redução de 13 centavos.

Pouco crédito disponível

Para as micro e pequenas indústrias a queda também não tem significado melhora das condições de acesso ao crédito, “isso quer dizer que para a nossa categoria econômica ainda não há crédito disponível, além da elevação da taxa de juros para tomadores”, afirma o Presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (SIMPI), Joseph Couri.

Para Couri entre as medidas urgentes que deveriam ser adotadas pelo governo para aumentar a competitividade da indústria, particularmente em relação ao financiamento, “sem dúvidas é melhorar o acesso ao crédito, ou seja, criar políticas públicas e mecanismos para facilitar a chegada de dinheiro novo à ponta. Afinal, sem isso, não há como manter a atividade empresária, tampouco ser competitivo e crescer. Sem capital de giro para empresas e crédito, não há crescimento”.

Os industriais ainda afirmam que, além de não haver incentivos para a atividade produtiva, houve aumento de custos. Como exemplos, citam as elevações dos preços dos combustíveis, da água e da energia elétrica.

Esse quadro de dificuldades econômicas está levando os industriais a fazer um balanço negativo do período. Em pesquisa encomendada pelo SIMPI, junto ao DataFolha, 54% dos entrevistados veem a conjuntura atual como ruim ou péssima, na avaliação bimestral.

A ampla maioria (92%) dos empresários da categoria declarou, em novembro, que a situação econômica ruim está afetando seus negócios. Para 52% dos entrevistados, a crise ainda é forte, afeta muito os negócios e não há previsão para retomada do crescimento da economia.

Concentração financeira

Outro ponto relevante a ser considerado é a elevada concentração existente no setor bancário no Brasil. Atualmente, quatro instituições financeiras detêm 73% do total de ativos do sistema e 76% dos depósitos.

Enquanto a economia brasileira vive um período de crise, com o fechamento de milhares de empresas e o maior índice de desemprego da América Latina e Caribe, em 2017, o Bradesco obteve um lucro de R$ 19 bilhões e o Itaú, de R$ 25 bilhões, demonstrando que a política econômica implementada atualmente está a serviço da especulação e não da produção.

 

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