Sábado, 17 Novembro 2018  16:17:40

Athenas dá mais um calote em ex-funcionários

  • Escrito por  DA REDAÇÃO

Empresa entra com embargos contra o pagamento de dois precatórios e questiona na Justiça valor de venda da garagem, que foi arrematado por R$ 1,9 mi

 

Ex-trabalhadores da empresa Athenas Paulista/RMC, que operava o transporte coletivo de São Carlos, se reuniram na manhã de ontem (19) com representantes do Sindicato dos Empregados em Transportes de São Carlos para discutir a questão do recebimento dos direitos trabalhistas. Há dois anos os mais de 600 funcionários, que foram dispensados em meados de 2016, não receberam nenhum valor. Muitos passam fome, problemas financeiros graves; processos, como pagamento de pesão alimentícia e, até agora, o empresário Miguel Cimati sequer pagou os ex-funcionários.

A empresa foi condenada a pagar dois precatórios, somando R$ 9 milhões, além de ter vários bens penhorados pela justiça.  Um dos trabalhadores mais antigos dispensado pela Athenas, Mário Henrique Rogeri, de 75 anos de idade, conta que trabalhou no local por mais de 30 anos. "Eu vi a empresa nascer e morrer, estou desde a Vilela Franco, trabalhei na Renascença, na Athenas, vi nascer e morrer mesmo. Mas é triste né, ainda não recebi nenhum tostão. Vi amigos perdendo carro, perdendo casa, perdendo tudo. Eles ficam recorrendo e recorrendo. Se tem o dinheiro, paga logo, poxa", reclamou o ex-funcionário.

A garagem da empresa, que fica na Rua Eugênio de Andrade Egas, foi leiloada pelo valor de R$ 1,9 milhão, mesmo sendo um valor abaixo do que se pede no mercado, em assembleia no início deste ano os trabalhadores aceitaram o valor. Porém, em uma manobra jurídica, Miguel Cimati e a RMC questionaram o valor na Justiça e, por causa deste motivo, nenhum trabalhador recebeu sequer um centavo da venda.

A advogada Renata de Cássia Ávila, que representa o sindicato dos trabalhadores, afirma que o pedido de agravo será questionado pela instituição e que outras medidas foram tomadas para garantir mais agilidade ao processo de pagamento dos direitos trabalhistas. "O sindicato conseguiu a reserva de valores de dois precatórios de R$ 9 milhões, que já estão habilitados para vir à justiça do trabalho. Um desses precatórios está liberado para vir já neste ano. O segundo, a gente ainda não sabe.  Fora isso a garagem foi arrematada, só que a empresa entrou com agravo de petição. Agora, esperamos a decisão voltar do tribunal para termos a resposta: ou permanece com essa arrematação e já é liberado R$ 1,9 milhão aos trabalhadores, ou então vai ser marcado um novo leilão", explicou a advogada.

Fora os dois precatórios, a representante do sindicado disse que vários bens, pertencentes à família do principal responsável pela empresa, foram penhorados. Segundo ela, dois imóveis já foram vendidos na última semana e todo o dinheiro arrecado deve ser agregado ao montante final, o qual será destinado ao pagamento dos direitos trabalhistas dos cerca de 650 ex-funcionários. 

De acordo com Luiz Carlos Factor,  há famílias passando necessidades, pessoas que estão jogadas na rua, tem gente que já morreu e não recebeu nada, pessoas passando fome, infelizmente. “A empresa está lá, como se nada tivesse acontecido. Funcionários de 30 e 35 anos de trabalho saíram sem um centavo do bolso. Até o momento nenhuma promessa foi cumprida, está todo mundo perdido. Por isso viemos procurar o sindicato. Estamos montando uma comissão para pedir aos políticos que representam São Carlos ajudarem a intervir no processo. Perante a justiça, a gente está desacreditado, pois em dois anos não tem nada, por mais petições que os advogados já fizeram, nada. Estamos esperando que o precatório possa vir logo, dependemos do tribunal de contas e, por isso, estamos montando essa comissão", disse Factor, que trabalhou por 15 anos como motorista da Athenas Paulista.

ÔNIBUS DESMONTADOS

Durante a assembleia entre trabalhadores e sindicato, um dos assuntos mais polêmicos tratados foi o suposto sumiço de peças dos veículos estacionados dentro da garagem da Athenas Paulista. Vitor Luís Martins, afirma que "tem coisa sendo subtraída de lá de dentro: pneu, bomba injetora, peças do motor. Além de funcionários que estão de guarda lá e que estão subtraindo várias coisas. Mesmo o responsável pela empresa sendo o fiel depositário nosso,  essas cosias estão sendo subtraídas de lá, coisas que estão para serem vendidas e possibilitar o pagamento dos funcionários", disse.  

O trabalhador afirmou que sabe de empresas que foram buscar peças na garagem. “São carcaças de primeira linha que tem lá, mas o dinheiro para nós, até agora, nada. Atrapalhou a vida de todo mundo, pessoas que desconstituíram família, gente que perdeu casa financiada, carro financiado pessoas presas por que não tiveram como pagar pensão alimentícia, e o pessoal retirando os bens que serviriam para pagar as nossas contas de lá", contou. 

De acordo com a advogada do sindicato, há notificações informando a Justiça que estão retirando bens de dentro da garagem, mesmo com o bloqueio judicial, que impede de pessoas entrarem e saírem do local. "Segundo informações, tem gente mexendo em ônibus dentro da garagem. Então temos pressa de que os bens sejam postos a leilão o quanto antes. Inclusive, já informamos ao juiz sobre as informações de que alguns ônibus estão sendo desmontados, e isso não poderia estar ocorrendo, porque conseguimos legalmente, há um mês, o bloqueio da garagem", garante a advogada Renata.  

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