ENTREVISTA DO DIA!!!

Árbitros relatam desafios dentro e fora de campo e defendem valorização da categoria em São Carlos

Foto: Paulo Mello / São Carlos FM

PAULO MELLO

Os árbitros Flávio Aparecido Ignacio e Paulo Alexandre da Silva Monteiro, representantes da Associação São-Carlense de Árbitros de Futebol e Futsal, defenderam maior valorização da categoria e relataram episódios de racismo, agressões e desafios enfrentados dentro e fora de campo. A entrevista foi concedida ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta terça-feira, 24.

Com cerca de 20 anos de atuação cada, os dois afirmam que a associação vive um momento de crescimento regional. Segundo Paulo, desde 2023 a entidade tem ampliado sua credibilidade e hoje atua em um raio de 70 a 100 quilômetros de São Carlos. “De 2023 para cá, a associação só está em crescente. Essa credibilidade é fruto de organização e seriedade”, afirmou.

Licitação e renovação da arbitragem

Durante a entrevista, os árbitros contaram que a associação aguarda a abertura da licitação pública que definirá a arbitragem do futebol amador de São Carlos para 2026. O edital ainda não foi publicado, mas a expectativa é que o processo seja iniciado nas próximas semanas. “Estamos esperando o edital para saber se voltamos a assumir o futebol da cidade. É um trâmite que pode levar de 15 a 25 dias após a publicação”, explicou Paulo.

Enquanto isso, os árbitros seguem atuando em campeonatos de clubes e cidades da região. Flávio também destacou a dificuldade na formação de novos profissionais. Segundo ele, a procura por cursos de arbitragem é pequena, o que tem levado a associação a trabalhar principalmente com reciclagens de árbitros já formados. “A procura é pequena. Estamos tentando formar uma nova turma para trazer o curso novamente, mas precisamos de interessados”, disse.

A presença de mulheres na arbitragem foi apontada como um avanço ainda em construção. Flávio afirmou que a associação incentiva a participação feminina e já promoveu eventos com arbitragem totalmente composta por mulheres, especialmente em torneios de futebol feminino. “Sempre tive o sonho de ter um trio feminino apitando. Conseguimos realizar eventos com quarteto feminino, mas ainda queremos ampliar essa participação”, afirmou.

Os árbitros também relataram episódios de racismo em partidas, tanto em São Carlos quanto em outras cidades. Segundo Paulo, há inclusive casos em andamento na esfera judicial. “Infelizmente já tivemos casos. O problema é que muitas vezes a denúncia demora a ser levada a sério”, disse.

Para eles, embora punições e maior exposição tenham contribuído para reduzir ocorrências, o problema ainda persiste e exige mudança cultural mais ampla.

Agressões e bastidores da profissão

Ao longo das duas décadas de atuação, ambos afirmaram já ter enfrentado situações de agressão e tentativas de intimidação. Paulo relatou já ter sofrido agressão física, enquanto Flávio disse que discussões e ameaças são frequentes. “Discussão é quase toda rodada. Partir para vias de fato é raro, mas acontece”, afirmou Flávio.

Apesar das tensões dentro de campo, os árbitros relatam que, fora das quatro linhas, a convivência costuma ser mais tranquila. “O que acontece dentro de campo fica dentro de campo”, disse Paulo, ao lembrar de casos em que jogadores pediram desculpas após partidas.

No fim da entrevista, Flávio resumiu o sentimento da categoria. “Lembram da bola, do uniforme, do churrasco depois do jogo. Mas esquecem do árbitro. Só lembram quando erramos.”

A associação afirmou estar à disposição para ampliar o debate público sobre arbitragem e contribuir com esclarecimentos sobre regras e decisões do futebol, tanto no âmbito local quanto nacional.

 

Assista a entrevista completa:

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