Marco César Aga*
Muita gente acredita nisso:- Que nosso problema é a corrupção. Analisei alguns números dos últimos anos: Orçamento do Governo Federal/2026 aprovado – 6,54 trilhões de reais; Orçamento dos 27 Governos Estaduais somados/2026 – 2,7 trilhões de reais; Orçamento dos 5.570 municípios somados/2026 – 1,8 trilhão de reais. Total arrecadado pelo Governo Federal, Governos Estaduais e Municípios/2026 – 11 trilhões de reais somados. Custos das autoridades e órgãos públicos: Senado e Câmara Federal – 15 bilhões/2026; Judiciário completo: 146,5 bilhões/2026; Governos Estaduais e Assembleias Legislativas: 2 trilhões/2026; Prefeituras e Câmaras de vereadores: 1,5 trilhão/2026. Total dos custos com o aparato estatal: 3,7 trilhões de reais/2026. Corrupção segundo os órgãos oficiais: Mensalão: 170 milhões em 4 anos (42,5 milhões por ano); Lava Jato: 30 bilhões de reais em 10 anos (3 bilhões por ano); Demais casos apurados e conhecidos, inclusive Banco Master: 98 bilhões de reais em 5 anos (20 bilhões por ano, sendo 40 bilhões do Master). Total desviado sem contar possíveis devoluções: 13,1 bilhões de reais por ano, no total de 131 bilhões em um intervalo de 10 anos. Esse valor de desvios anual é menor que o orçamento anual do Congresso Nacional (Senado e Câmara Federal), falamos de 13,1 bilhões de reais/ano de desvios contra 15 bilhões de custo/ano do Congresso. Falamos de 11 trilhões de reais de arrecadação anual pelos nossos entes federativos, contra 3,7 trilhões de reais de despesas orçamentárias com todos eles. Saldo de mais ou menos 7,3 trilhões de reais/ano. Corrupção descoberta e oficial: 13,1 bilhões /ano contra 7,3 trilhões/ano de superavit orçamentário, ou seja, recursos para pagamento de juros dos títulos públicos e para saúde, educação, cultura, esportes, lazer etc. Exponho tudo isso para defender uma tese de que nosso problema não é somente a corrupção, ela é uma mazela, uma doença cultural e se aproveita da falta de controle, fiscalização e lisura por parte dos políticos e funcionários públicos, mas nosso real e progressivo problema é a falta de qualificação para o exercício do cargo, sejam os eleitos, os nomeados ou os concursados. Basta repararmos como algumas cidades, estados ou países se desenvolvem mais que outros e isso acontece quando determinado gestor está à frente do governo seja municipal, estadual ou nacional. A simples conquista de um mandato pelo voto não transforma alguém, de imediato, em um bom gestor. Muitos são despreparados para a complexidade das funções que assumem. Isso vai desde a falta de formação técnica até a ausência de compromisso com o interesse público. A falta de competência em um cargo público é um prejuízo coletivo que compromete o futuro e o bem-estar de todos. Não é só a corrupção, é também saber escolher.
*Marco César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.








