- “A pobreza não é natural. Ela é criada pelo homem e pode ser superada e erradicada pela ação dos seres humanos” – Nelson Mandela
Marco César Aga*
Em 12 de junho deste ano conhecemos o primeiro trilionário do planeta: Elon Musk. Ele demoraria 3 mil anos, gastando 1 milhão por dia, para acabar com sua riqueza. Lembrando que temos hoje mais de 200 milhões de crianças passando fome no mundo. Essa talvez seja uma das faces mais dolorosas da nossa sociedade: a desigualdade. Ela está presente onde alguns têm oportunidades de sobra e outros precisam lutar pelo mínimo necessário para viver dignamente. Não é caso de quem tem muito e quem tem pouco. Ela aparece no acesso à educação, à saúde, à moradia, à segurança, ao emprego e até no direito de sonhar com um futuro melhor. Para esses o que deveria ser um direito básico continua sendo um privilégio. O desafio é romper o ciclo que transforma a pobreza em herança. Como ocorreu quando da abolição, em que nada foi oferecido aos libertos da escravidão. Bem ao contrário do que ocorreu na República Velha (1889/1930) quando seguindo o sistema das capitanias hereditárias e a política de sesmarias da Coroa Portuguesa em 1534, que criou uma grande concentração de terras, os proprietários de grandes latifúndios foram nomeados coronéis e exerciam controle militar e político em suas localidades. Dois pesos, duas medidas. Uma simples questão política de oportunidades. Uma criança que nasce em uma família pobre não pode ter seu destino determinado pelo local onde nasceu. Educação de qualidade, alimentação adequada, atendimento de saúde e oportunidades profissionais são ferramentas capazes de mudar histórias e abrir caminhos. Portanto, combater a desigualdade e a pobreza não significa simplesmente distribuir renda, significa criar condições para que cada pessoa possa construir sua própria trajetória. É oferecer oportunidades para que ninguém seja condenado à exclusão, antes mesmo de ter a chance de lutar ou competir. Um país realmente desenvolvido é aquele onde a riqueza produzida chega à vida de todas as pessoas. O poder público tem uma enorme responsabilidade em tudo isso, mas a sociedade precisa fazer a sua parte. Empresas, instituições, entidades, comunidades e cidadãos de todas as classes podem contribuir para construir uma realidade mais solidária. Passa pela empatia e pela maneira como vemos o outro. A pobreza não é um problema distante, que pertence só a quem sofre, ela é produtora de uma sociedade dividida entre os que podem escolher e os que simplesmente sobrevivem. E isso só será vencido com políticas sérias e com solidariedade e compromisso humano. Afinal, uma sociedade justa não é aquela em que todos possuem as mesmas coisas, é aquela em que todos tem dignidade, oportunidades iguais e o direito de acreditar que o amanhã pode ser melhor que hoje.
*Marco César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.








