Saúde pública

Alerta em São Carlos: descarte irregular de “canetas emagrecedoras” provoca acidentes e expõe trabalhadores a risco de contaminação

Um problema que começa dentro de casa pode estar colocando dezenas de profissionais em perigo em São Carlos. O presidente da Câmara Municipal de São Carlos, Lucão Fernandes, fez um alerta contundente sobre o uso indiscriminado das chamadas “canetas emagrecedoras” sem prescrição médica e, principalmente, sobre o descarte irregular de agulhas e seringas no lixo doméstico.

O ponto mais preocupante é que a situação já está gerando acidentes de trabalho. Dados da empresa responsável pela coleta apontam que, em 2025, foram registrados 13 acidentes — oito deles causados por agulhas, o equivalente a cerca de 60% das ocorrências. Em 2026, em apenas 45 dias, os casos envolvendo perfurações por agulhas já representam 75% dos registros.

Uso sem orientação médica preocupa

Segundo o parlamentar, medicamentos injetáveis indicados para tratamento de doenças específicas vêm sendo utilizados como solução estética rápida, sem acompanhamento profissional. Ele alerta que o uso inadequado pode provocar efeitos colaterais graves, como pancreatite aguda, hipoglicemia severa, distúrbios gastrointestinais intensos, problemas renais, alterações na vesícula biliar e desequilíbrios metabólicos.

“Não se trata de produto milagroso. Trata-se de medicamento que exige responsabilidade”, afirmou.

Risco vai além do ferimento

O problema não se resume às perfurações. O contato com material contaminado pode expor trabalhadores a doenças como hepatite B, hepatite C, HIV, tétano e infecções bacterianas graves, ampliando a situação para a esfera da saúde pública.

Durante visita à cooperativa Coopervida, Lucão Fernandes acompanhou a triagem de materiais e constatou a presença de canetas injetáveis, agulhas expostas e frascos de medicamentos misturados ao lixo comum. Trabalhadores relataram situações de risco, incluindo acidente causado por descarte inadequado.

O cenário evidencia a vulnerabilidade dos profissionais da coleta e da reciclagem, que muitas vezes entram em contato com resíduos perfurocortantes sem qualquer aviso ou proteção adequada.

Descarte correto é dever do cidadão

O presidente da Câmara reforça que seringas e agulhas não devem ser descartadas no lixo doméstico. O correto é encaminhá-las às unidades de saúde, que possuem estrutura apropriada para o manejo seguro desse tipo de resíduo.

Ele também defendeu campanhas educativas mais intensas e ações de fiscalização, ressaltando que a negligência individual pode gerar consequências coletivas graves.

“Não podemos permitir que a busca por um padrão estético coloque vidas em risco. São Carlos precisa agir — e agir agora”, concluiu.

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