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Gestão, legado e desafios: novo gerente apresenta prioridades para o Sesc São Carlos

Foto: Paulo Melo / São Carlos FM

Paulo Mello
Da redação

O novo gerente do Sesc São Carlos, Fábio José Rodrigues Lopes, foi o entrevistado do programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM (107,9), na manhã desta quarta-feira (14), e fez um balanço detalhado sobre os rumos da instituição, os desafios da nova função, as obras em andamento e a importância do Sesc como agente de transformação social na cidade e na região.

Logo no início da conversa, Fábio surpreendeu os ouvintes ao revelar um vínculo afetivo e profissional com o próprio prédio da emissora. Em 1997, recém-formado, ele atuou como editor de Cultura do jornal Primeira Página, justamente no mesmo espaço físico onde hoje funciona a São Carlos FM. “Esse prédio foi o início da minha trajetória profissional. Voltar aqui, agora em outra fase da vida, tem um simbolismo enorme”, afirmou.

Natureza jurídica e papel do Sesc

Ao explicar o funcionamento da instituição, o novo gerente fez questão de esclarecer a natureza jurídica do Sesc. Trata-se de uma instituição privada, mantida pelos empresários do comércio, bens, serviços e turismo, com finalidade pública voltada ao bem-estar e ao desenvolvimento dos trabalhadores do setor e da comunidade em geral.

Segundo ele, o Sesc é supervisionado pelo Conselho do Comércio Varejista do Estado de São Paulo e, em São Carlos, conta com a representação do conselheiro Paulo Gullo, liderança histórica do comércio local e regional, além de vice-presidente da Fecomércio SP. “Nada nasce do nada. Existe uma estrutura jurídica sólida, com mais de 80 anos, que sustenta e orienta nosso trabalho”, destacou.

Desafios da nova gestão

Questionado sobre os principais desafios à frente do Sesc São Carlos, Fábio afirmou que o foco inicial é manter as equipes engajadas, motivadas e comprometidas. A unidade conta atualmente com cerca de 150 funcionários fixos, além de 30 a 40 terceirizados que atuam nas áreas de segurança e limpeza.

“Quando você tem uma equipe com brilho nos olhos, o resto acontece por consequência. Atendemos milhares de pessoas todos os dias. É um trabalho intenso, que exige muito preparo e dedicação”, disse. Para ele, o Sesc é um espaço de formação, desenvolvimento humano e transformação social, que vai muito além da oferta cultural.

Legado e continuidade

O novo gerente também ressaltou que sua função não é romper com o passado, mas dar continuidade a um trabalho consolidado ao longo de décadas. Ele citou o legado do professor Danilo Santos de Miranda, que esteve à frente da concepção do modelo de atuação do Sesc por mais de 40 anos, e do atual presidente nacional da instituição, Luiz Galina, que segue essa mesma linha.

“Assumir uma unidade desse porte é, antes de tudo, dar seguimento ao que já vem sendo feito com excelência, administrar bem os recursos e trazer ânimo, energia e vontade de fazer sempre melhor”, afirmou.

Datas históricas e comemorações

O ano de 2026 marca datas emblemáticas para a instituição. O Sesc completa 80 anos de atuação no Brasil, enquanto a unidade de São Carlos celebra 30 anos do prédio atual e 70 anos de presença contínua na cidade — uma das primeiras do interior paulista a contar com ações permanentes do Sesc.

“São datas muito simbólicas. Muitas cidades ainda hoje lutam para ter uma unidade do Sesc. São Carlos tem uma estrutura consolidada há três décadas. Vamos valorizar esse momento com ações culturais, esportivas e artísticas especiais”, adiantou.

Obras e reformas

Durante a entrevista, Fábio comentou sobre as obras em andamento na unidade, um projeto planejado há mais de dez anos e que finalmente começou a ser executado. Ele reconheceu os transtornos temporários, mas pediu compreensão da população.

“É como trocar a roda com o carro andando. Fazer obras com a unidade funcionando é extremamente complexo. Essa primeira fase deve durar cerca de dois anos, seguida por uma segunda etapa de três a quatro anos”, explicou. Ao final, a promessa é de um Sesc mais moderno, confortável e acolhedor, tanto para o público quanto para os trabalhadores.

Estacionamento e mobilidade

Um dos temas mais sensíveis abordados foi a falta de estacionamento no Sesc São Carlos. Fábio reconheceu a dificuldade, mas contextualizou a política institucional de incentivo ao uso do transporte público, comum especialmente nas unidades da capital e da Grande São Paulo.

“No interior, isso é mais desafiador, porque vivemos uma cultura muito centrada no carro. Para atender à demanda real, seriam necessárias pelo menos 200 vagas, o que não é simples”, ponderou. Ele destacou ainda que soluções estruturais deveriam ter sido pensadas ainda na fase de projeto do prédio, mas admitiu que o tema segue como um “nó difícil” a ser enfrentado com criatividade.

Parcerias com o poder público e instituições

Fábio defendeu uma atuação cada vez mais integrada com o poder público municipal, instituições de ensino, ONGs e comunidades periféricas. “O Sesc não é uma ilha, não é encastelado. Ele só faz sentido quando está inserido na comunidade”, afirmou.

Ele citou parcerias já existentes, como o apoio ao evento Chorando Sem Parar, o Circuito Sesc de Artes — que retorna em março e contempla cidades da região — e ações conjuntas em aniversários da cidade. Também elogiou a criação da Secretaria Municipal de Cultura em São Carlos, classificando-a como um avanço importante para o município.

Atuação social: Mesa Brasil e odontologia

Entre os programas sociais, Fábio destacou o Mesa Brasil Sesc, que realiza coleta e distribuição de alimentos para cerca de 40 instituições, com apoio de aproximadamente 30 doadores, atendendo São Carlos e cidades vizinhas.

Outro serviço de grande impacto social é a odontologia do Sesc, que oferece tratamentos a preços acessíveis, muitas vezes atendendo pessoas que não teriam condições de arcar com procedimentos no mercado privado.

Programação de férias e acesso ao Sesc

Durante o período de férias escolares, o Sesc São Carlos promove uma intensa programação dentro dos projetos Sesc Verão e Férias no Sesc, com atividades esportivas, de lazer e entretenimento abertas ao público em geral. Entre os destaques estão apresentações esportivas, lutas, judô e participações de atletas olímpicas.

Fábio também esclareceu quem pode se credenciar como usuário pleno do Sesc: trabalhadores com carteira assinada no comércio, bens, serviços e turismo. O credenciamento pode ser feito presencialmente ou online, e se estende a familiares, como filhos e pais. “Ainda visitamos empresas que não sabem que seus funcionários podem usar o Sesc. Informação é fundamental”, observou.

Mensagem final

Ao encerrar a entrevista, o novo gerente agradeceu o espaço da imprensa local e reforçou a importância da comunicação para aproximar o Sesc da população. “Agendar um show é importante, mas como chegar às pessoas? A imprensa é essencial nesse processo”, afirmou.

Fábio deixou como mensagem final a ideia de que o Sesc é um espaço aberto, acolhedor e transformador. “Nosso papel é ampliar a visão de mundo das pessoas, mostrar que a vida não se resume apenas à rotina do trabalho. O Sesc existe para proporcionar experiências, desenvolvimento humano e transformação social”, concluiu.

 

Assista a entrevista completa abaixo:

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