Município integra região de Araraquara, uma das 11 áreas consideradas prioritárias pelo Governo de SP para ações contra dengue, chikungunya e zika
São Carlos está inserida em uma das 11 regiões do Estado de São Paulo consideradas prioritárias para ações de prevenção e resposta às arboviroses diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño. O município integra a área de abrangência do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Araraquara, que aparece entre os territórios que receberão atenção reforçada nos próximos meses.
O mapeamento faz parte do Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) com o objetivo de antecipar riscos, orientar os municípios e preparar a rede de atendimento.
Além de Araraquara, foram classificadas como prioritárias as regiões de Araçatuba, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto.
Nessas áreas, o planejamento considera a possibilidade de aumento da transmissão de dengue, chikungunya e zika, além de uma eventual maior procura pelos serviços de saúde e crescimento das internações e mortes provocadas pelas formas graves dessas doenças.
Segundo a SES-SP, a combinação de períodos de calor e chuva pode criar condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor das principais arboviroses urbanas.
“A alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses. O estado está se antecipando a esse cenário, com o reforço da vigilância e a preparação dos serviços de saúde, mas a participação da população também é decisiva. Fazer uma vistoria semanal e eliminar recipientes com água parada são medidas simples e eficazes”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.
El Niño aumenta atenção para os próximos meses
O cenário meteorológico reforça a necessidade de preparação. De acordo com o boletim mais recente de monitoramento do El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, existe mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.
Para esse período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do Estado de São Paulo.
A combinação preocupa as autoridades de saúde porque o calor e a presença de água acumulada podem favorecer a reprodução do mosquito transmissor da dengue e de outras arboviroses.
Dengue apresenta forte queda em 2026
Apesar do alerta para os próximos meses, o cenário epidemiológico atual é bem melhor do que o registrado no ano passado.
Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, o Estado de São Paulo contabilizou 58.271 casos de dengue, contra 855.132 no mesmo período de 2025.
A redução chega a 93,2%, representando quase 797 mil casos a menos em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo diante da queda expressiva, a Secretaria de Estado da Saúde mantém o acompanhamento semanal dos indicadores para identificar eventuais mudanças na circulação do vírus e orientar antecipadamente as ações de vigilância, controle do mosquito e atendimento à população.
Plano prevê preparação da rede de saúde
O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño foi estruturado para apoiar regiões e municípios diante de quatro possíveis cenários: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses.
No caso específico das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, o planejamento prevê o fortalecimento da vigilância epidemiológica, acompanhamento dos indicadores, intensificação das ações de controle do mosquito e organização da rede de saúde para uma eventual elevação da procura por atendimento.
As medidas devem ser adotadas de acordo com o nível de risco identificado em cada território.
São Carlos também depende da prevenção dentro de casa
Mesmo com a redução dos casos em relação ao ano passado, a orientação das autoridades é para que os moradores não relaxem nos cuidados.
A principal recomendação é realizar uma vistoria semanal em casas e apartamentos, principalmente depois de períodos de chuva.
Entre as medidas estão:
* Manter caixas-d’água e outros reservatórios devidamente fechados;
* Retirar folhas e materiais que possam impedir o escoamento da água pelas calhas;
* Colocar areia até a borda nos pratos de vasos de plantas;
* Trocar a água e lavar vasos de plantas aquáticas com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana;
* Guardar garrafas e recipientes com a abertura voltada para baixo;
* Colocar o lixo em sacos plásticos e manter as lixeiras fechadas;
* Descartar corretamente pneus, embalagens e objetos que possam acumular água;
* Depois das chuvas, verificar quintais, varandas, ralos e áreas de serviço.
Fique atento aos sintomas
A primeira manifestação da dengue costuma ser febre alta, acima de 38°C, de início repentino e duração de dois a sete dias.
Também podem aparecer dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, fraqueza, mal-estar, náuseas, vômitos, manchas vermelhas e coceira na pele.
A Secretaria de Estado da Saúde alerta ainda para os chamados sinais de alarme, que podem surgir principalmente quando a febre começa a diminuir.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos e cansaço extremo ou irritabilidade exigem atendimento imediato.
Em caso de suspeita de dengue ou outra arbovirose, a orientação é procurar um serviço de saúde e evitar a automedicação.
Dengue 100 Dúvidas
O Governo de São Paulo também disponibiliza o portal Dengue 100 Dúvidas, que reúne respostas para as cem perguntas mais buscadas na internet sobre dengue, zika e chikungunya.
A ferramenta aborda prevenção, sintomas e tratamento, além de ajudar a esclarecer informações falsas que circulam sobre as doenças.
O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño também está disponível para consulta no portal da Secretaria de Estado da Saúde.








