Agricultura de baixo carbono

Tecnologias da Embrapa São Carlos para adaptação às mudanças do clima e redução de impactos são apresentadas na COP30

Guandu BRS Guatã, tecnologia sustentável, lançada recentemente pela Embrapa/Gisele Rosso

Três tecnologias sustentáveis da Embrapa Pecuária Sudeste estarão na COP30 em Belém – o Programa Balde Cheio, o Guandu BRS Mandarim e o Guandu BRS Guatã. A trigésima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) vai de 10 a 21 de novembro.

As duas leguminosas contribuem para a sustentabilidade da agropecuária brasileira, tanto para a adaptação às mudanças do clima, quanto à redução de impactos. O Mandarim e o Guatã são estratégias eficazes para a recuperação de pastagens degradadas. O Programa Caminho Verde, também conhecido como Plano Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas do Governo Federal, pretende recuperar ou converter 40 milhões de hectares de áreas em algum estágio de degradação. As duas espécies podem colaborar para o alcance dessa meta.

O guandu BRS Mandarim em consórcio com capins tropicais mostrou-se um bom recurso para a produção sustentável de bovinos de corte. As pesquisas indicaram que a integração melhora a qualidade do solo, reduzindo a erosão e incrementando a ciclagem de nutrientes. Os produtores que adotaram a tecnologia relataram elevação da produtividade, por meio da recuperação da pastagem e oferta de alimento no período seco do ano, consequentemente, aumento da rentabilidade e viabilidade econômica da atividade.

Outra vantagem do Mandarim é a eficiência no uso de insumos agrícolas, diminuindo as despesas com adubos químicos, especialmente, de fontes de nitrogênio, e cuidando do meio ambiente.

A melhor composição nutricional, com animais consumindo menos suplemento mineral e mesmo assim aumentando o desempenho, resulta em menor emissão de metano pelos bovinos. As pesquisas mostraram uma redução de até 70% das emissões por quilo de ganho de peso em relação a pastagem degradada. Essa característica é mais do que estratégica para contribuir para minimizar os impactos das mudanças climáticas.

A Guandu BRS Guatã também está no rol de cultivares sustentáveis, já que favorece a saúde do solo e reduz a dependência por insumos químicos. No entanto, seu principal benefício é o potencial no controle natural de cinco espécies de nematoides, pragas que causam prejuízos bilionários à agricultura anualmente.

As pesquisas revelaram que a variedade apresenta baixos fatores de reprodução para os nematoides Pratylenchus brachyurus; P. zeae, Meloidogyne javanica e M. incognita, com grande ocorrência, principalmente, na soja e na cana-de-açúcar. Um estudo mais recente demonstrou que o Heterodera glycines também tem fator de reprodução baixo para o Guatã.

Algumas características da cultivar podem ser bastante importantes em condições desafiadoras, como as mudanças climáticas. A variedade demonstrou alta tolerância ao déficit hídrico, vantajosa em um cenário adverso, onde eventos extremos, como secas, tendem a ser mais frequentes e intensos. A capacidade de produção em condições de baixa disponibilidade de água a torna estratégica à adaptação da agropecuária às mudanças climáticas.

Balde Cheio

O Balde Cheio, premiado recentemente pela FAO entre as melhores práticas que promovem a segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e a transformação dos sistemas agroalimentares, é um programa de capacitação de técnicos e produtores de leite. Presente em 15 estados, assiste a cerca de três mil propriedades e conta com mais de 70 parceiros que apoiam o processo de qualificação dos participantes.

O desempenho do pecuarista é potencializado com acesso a tecnologias e conceitos utilizados de forma customizada, como sanidade animal, bem-estar, gerenciamento, manejo de pastagens e preservação ambiental. A produtividade anual das propriedades do Balde Cheio é quase quatro vezes maior por hectare ao ano do que a média geral brasileira.

Para o coordenador do programa, André Novo, que também é chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, o Balde Cheio abrange múltiplas dimensões – social, econômica e ambiental.

Com a metodologia do programa, o estabelecimento rural transforma-se em sala de aula, chamada de Unidade de Demonstração (UD), onde ocorrem capacitações e o compartilhamento de informações. Também, são ministradas aulas teóricas para extensionistas e produtores nas regiões de atuação. Já as fazendas que apenas recebem assistência são denominadas Propriedades Assistidas (PAs).

Os produtores e os técnicos capacitados trabalham em comum acordo buscando as melhores soluções. As escolhas das tecnologias são realizadas dependendo do estágio de desenvolvimento da propriedade e adaptada às condições locais.

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