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Vilma Faggioli: uma vida dedicada à música de qualidade

Nascida em São Paulo, Vilma, que rodou o mundo cantando as melhores melodias da MPB adotou Itirapina como seu recanto feliz 

08/01/2023 08h18 - Atualizado há 2 anos Publicado por: Redação
Vilma Faggioli: uma vida dedicada à música de qualidade Fotos: Divulgação – Arquivo pessoal Vilma Fag

“Representar a Dalva de Oliveira foi uma honra. Quando ia passar som em estúdio costumava imitar ou chegar perto dessa estrela”

 

“ Hoje o amor se tornou uma coisa banal. É nada perto do que vivemos, uma época glamourosa, com bailes lindos, decorados com trajes lindos. Hoje mulher veste shorts”

 

“Gosto muito da música brasileira. Não tenho uma cantora predileta, mas admiro muitas. Acho que a vida sem música é nada”

 

Ela já representou a grande Dalva de Oliveira nos palcos, tem uma carreira de grande sucesso na música, rodou o mundo e hoje faz questão de expressar seu amor à pequena Itirapina. Apesar de ter dividido o palco com grandes nomes da MPB,  como Os Incríveis, Amado Batista, João Paulo & Daniel, Sivuca, Sérgio Reis, Beto Barbosa, além de várias bandas de baile, com muita humildade, Vilma Faggiolli ressalta que seu maior prazer é cantar com os amigos numa roda de violão ou de samba. Ela afirma que atualmente participa de alguns trabalhos em São Carlos e em São Paulo. “Hoje, a melhor música é a cantada com os amigos”, destaca.

Filha de Francisco Faggioli e Maria Hercília Canhoni Faggioli e irmã de José Roberto Faggioli, Vilma nasceu em São Paulo no dia 18 de maio de 1955, mas foi criada em Itirapina, onde seus pais residiam. Divorciada, ela não tem filhos. “Quis Deus que eu nascesse no mesmo dia em que nasceram minha mãe e minha avó”, diz ela com alegria. Na capital paulista, ela estudou até o ensino médio. Numa família de músicos, ela começou a cantar ainda quando era menina, aos seis anos. O seu pai, Francisco , era parceiro de seresta da cantora Dalva de Oliveira, que era natural de Rio Claro, mas visitava Itirapina quando passava um tempo com a família, na região. “Meu pai percebeu meu dom desde criança. Depois que a Dalva voltou a cantar queria levar meu pai para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na época de ouro do rádio. Meu pai interpretava muito bem, imitava Nelson Gonçalves, mas minha mãe não deixou ele ir para a rádio por ciúmes”, lembra ela.

A carreira profissional começou em 1974. “A vida inteira eu tive ligações com Itirapina. E aqui os amigos perceberam o meu dom musical. Vicente Lucas, Marco Fahl, Jaime Marino. E quem me convidou pra conhecer esses amigos foi o Amauri Gobbo. Um dia estava em Rio Claro com um amigo e dei uma canja e nesse lugar estava Otavio Basso com sua noiva Marcia Carvalho. Otavio me levou pra cantar num conjunto era o Music Show de Ed Costa. Otavio Basso e Jerico eu já conhecia pelos ‘Impossíveis’. Eles ensaiavam na casa do Roberto Wischer em São Paulo. Wischer era nosso vizinho” conta ela.

Ela se considera itirapinense e afirma que seus amigos de juventude continuam em Itirapina. “Cantei por quatro anos no Music Show e  depois no Super Som TA. Mas foi na Banda Réveillon que fiquei muitos anos. Dai, segui. Marcia Carvalho e eu fomos companheiras de back vocal por mais de 25 anos. Fizemos vocal pra muitos artistas, entre eles Leandro e Leonardo Amado Batista, Beto Barbosa, João Paulo e Daniel, Sergio Reis, enfim, muitos . Gravamos até para escolas de samba e teatro infantil”, relembra Vilma.

Ela também lembra o tempo em que fez parcerias com alguns monstros da MPB.  “O que mais marcou foi com Oswaldinho do Acordeon. Fomos pra Europa. Fazíamos shows também com Sivucca e Dominguinhos. Cantei em todo lugar que imaginar. Foram 36 anos de vida artística”, comemora a cantora.

Vilma confessa que a MPB a encanta de forma geral. “Gosto muito da música brasileira. Não tenho uma cantora predileta, mas admiro muitas. Acho que a vida sem música é nada. Hoje ouço as boas, as antigas. As músicas de hoje são complicadas. Muita não tem conteúdo ou melodias muito simples, sem aquelas harmonias maravilhosas”, explica a artista.

“Encarnar” uma das rainhas do rádio foi um momento de alegria para Vilma. “Representar a Dalva de Oliveira foi uma honra. Quando ia passar som em estúdio costumava imitar ou chegar perto dessa estrela, uma brincadeira que virou um show. Um amigo meu, o Fernando Barros me convidou pra cantar músicas do Herivelto Martins  e fomos procurar minha amiga Fatima Camargo, uma amiga querida da juventude. E ela adorou. O que era pra ser simplesmente Herivelto se tornou um show maravilhoso”, comenta Vilma.

Reviver a Dalva marcou a vida de Vilma. “E nessa história a Fátima engrandeceu esse show e num dia eu estava ensaiando e ela tinha convidado Pedro Ribeiro para me ver, e era surpresa, e de repente, eu estava cantando ‘Ave Maria do Morro’ e entrou no meu Ensaio o Pedro Ribeiro. Foi uma honra e com tudo isso tudo cresceu teve a participação do Peri. Fizemos o show contando a história da Dalva no Trio de Ouro e depois, como solista, como cantora solista, e foi maravilhoso. Um show realmente emocionante e a participação do Peri enriqueceu ainda mais esse trabalho eu tenho que agradecer muito ao Fernando e a Fátima e a todos os músicos maravilhosos que lá participaram que a participação do Wagner Muccilo e seu irmão o Neto da Doce Veneno. Foi também uma honra, todos  músicos maravilhosos muitos e o show realmente foi excelente”, afirma.

Nostálgica das épocas mais românticas do Brasil em todos os sentidos, Vilma Faggioli critica tanto a falta de qualidade das letras quanto da pobreza do ritmo dos sucessos atuais da música brasileira, principalmente o sertanejo universitário que destaca muito o adultério.  “Hoje o amor se tornou uma coisa banal. É nada perto do que vivemos, uma época glamourosa, com bailes lindos, decorados com trajes lindos. Hoje mulher veste shorts. A qualidade da música está ruim mesmo. Até essas da Marília Mendonça ela poderia cantar alguma coisa romântica, mas faz de uma forma agressiva que perde o encanto”, explica.

Do lado do pagode, que ainda faz muito sucesso, ela também não enxerga belas canções. “É um sambalelê sem melodia, sem destaque ou me parece uma música de gente revoltada. Hoje temos uma forma de música onde não existe dança, não existe harmonia não existe melodia. Não tem nada harmônico, muito menos letras e grandes cantores”.

Feliz com sua pequena e bela Itirapina, cercada por montanhas, Vilma começou a desfilar na Escola de Samba A Voz do Morro em 1969, quando tinha apenas 14 anos. Há quatro anos, em 2019, ela saiu na escola comemorando 50 anos de presença na Voz do Morro. “Foi um tempo maravilhoso na minha vida. Amo esta cidade”, conclui a cantora.

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