POLÊMICA!!!

Conta de água explode em São Carlos e moradores pagam a conta do recesso no SAAE

Foto: Paulo Mello / São Carlos FM

Moradores de São Carlos procuraram o jornal Primeira Página para relatar aumentos considerados excessivos nas contas de água referentes ao mês de dezembro. As queixas se concentram no intervalo maior entre as leituras do consumo, que teria inflado o volume registrado e, consequentemente, o valor final das faturas emitidas pelo SAAE São Carlos.

Um dos casos analisados envolve um consumidor que preferiu não se identificar. Segundo a conta apresentada, o período de leitura compreendeu os dias 11 de dezembro de 2025 a 17 de janeiro de 2026, totalizando 39 dias de consumo. Para usuários que consomem até 10 mil litros, a tarifa de abastecimento é de R$ 2,41. Ao ultrapassar esse limite, o valor do metro cúbico salta para R$ 6,05 — um aumento aproximado de 151%. Na prática, poucos dias adicionais foram suficientes para enquadrar o consumidor em uma faixa tarifária mais elevada, com impacto financeiro significativo. Ou seja, mesmo não tendo a culpa no atraso da leitura – e ela voltar a ser realizada normalmente no próximo mês – o consumidor foi prejudicado e lesado ao pagar a alta fatura recebida.

Durante participação no Primeira Página no Ar, na São Carlos FM (107.9), no dia 09 de janeiro, o presidente do SAAE, Derike Contri, já havia explicado que não houve reajuste na tarifa de água e que os aumentos pontuais observados em algumas contas, decorrem do maior número de dias entre as leituras, segundo ele, causado por pontos facultativos e pelo recesso de fim de ano concedido aos servidores públicos municipais. [ver vídeo abaixo]

Contri explicou ainda que a Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (ARES-PCJ) autoriza ciclos de leitura entre 25 e 35 dias, e que, em períodos com feriados prolongados, o consumo acaba sendo acumulado. “Se a conta veio com alguns dias a mais, é natural que o valor fique maior. Na próxima, a tendência é reduzir”, afirmou, sem falar sobre os custos das faixas de cobranças.

Os dados apresentados pelos consumidores, no entanto, levantam questionamentos. No caso analisado, o intervalo chegou a 39 dias, ultrapassando o limite máximo de 35 dias citado como referência regulatória. A discrepância reforça a insatisfação dos usuários, que consideram a prática legal do ponto de vista administrativo, mas imoral sob a ótica do consumidor pelo valor cobrado. “Se o prefeito deu recesso e ponto facultativo para os servidores, a culpa não pode cair na população que está pagando uma conta mais cara pelo simples fato de não fazerem a leitura no período correto”, afirmou um reclamante ao Primeira Página.

Embora o SAAE oriente que contas fora do padrão podem ser revistas mediante solicitação nos postos de atendimento, o episódio expõe um problema recorrente: os efeitos do recesso administrativo acabam sendo transferidos para o bolso da população, funcionando, na prática, como um aumento indireto da conta de água, especialmente para quem consome menos e tem menor margem para absorver variações abruptas.

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