Coluna do Braga

A ARTE EM NOME DA LIBERDADE

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A história da humanidade é intrinsecamente tecida com a busca incessante pela liberdade. Nesse complexo e muitas vezes doloroso percurso, a arte emerge não apenas como um espelho da alma humana, mas como uma poderosa arma, um refúgio e, sobretudo, um grito em nome da liberdade. Seja em tempos de opressão, silenciamento ou em meio a celebrações democráticas, a expressão artística tem se mostrado uma força catalisadora para a mudança, o questionamento e a emancipação.

Desde os tempos mais remotos, das pinturas rupestres que narravam a vida e os anseios de povos ancestrais, até as instalações contemporâneas que desafiam as normas sociais, a arte sempre carregou consigo a semente da insubordinação. No Renascimento, ela serviu como meio para o florescimento do pensamento humanista; no Iluminismo, para a disseminação de ideias revolucionárias. Em séculos mais recentes, sob o jugo de regimes autoritários, a arte transcendeu o mero entretenimento para se tornar um vital sopro de resistência. No Brasil, durante a ditadura militar, canções, peças de teatro e obras visuais foram ferramentas de denúncia e conscientização. A MPB, por exemplo, disfarçava críticas mordazes em metáforas e poesias, driblando a censura e ecoando os anseios por democracia. Artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Elis Regina transformaram seus palcos e discos em tribunas de resistência, enquanto a dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho e a obra visual de Cildo Meireles subvertiam a ordem estabelecida.

A força da arte reside em sua capacidade de comunicar o indizível, de evocar emoções e de provocar reflexão sem a necessidade de palavras explícitas. Uma tela pode gritar injustiça com cores e formas, uma melodia pode insuflar coragem e esperança, e um poema pode desvelar a hipocrisia de um sistema. A arte não precisa de permissão para existir ou para impactar; ela simplesmente É, e, ao sê-lo, desafia os limites impostos. Em um mundo onde as liberdades civis ainda são ameaçadas, onde a diversidade é muitas vezes combatida e onde vozes são silenciadas, a arte continua a ser um farol. Festivais de cinema que promovem a pluralidade, exposições que abordam temas sensíveis, livros que dão voz aos marginalizados e performances que questionam o *status quo* são testemunhos vivos de que a arte não se cala. Ela persiste, resiste e insiste em ser um espaço de liberdade, um campo fértil para a utopia e um eterno lembrete de que a verdadeira emancipação humana passa, invariavelmente, pela irrestrita liberdade de expressão. É a arte, em suas múltiplas formas, a guardiã incansável da nossa capacidade de sonhar, protestar e, finalmente, ser livre.

David John Braga Jr.

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