O mercado imobiliário de São Carlos e região apresentou comportamentos distintos em julho de 2026. Enquanto as vendas de imóveis residenciais usados cresceram 14,81% em relação a junho, o setor de locações registrou uma forte retração de 29,97%.
Os números mostram um mercado mais seletivo, com as compras concentradas principalmente em imóveis de valor intermediário e forte participação do financiamento habitacional. Na locação, além da queda no número de contratos, houve mudança significativa no perfil dos imóveis e das garantias utilizadas.
Imóveis entre R$ 201 mil e R$ 300 mil lideram vendas
A faixa entre R$ 201 mil e R$ 300 mil concentrou 40% das vendas realizadas em julho, sendo a principal escolha dos compradores.
Os imóveis de até R$ 200 mil representaram 28% das negociações, enquanto aqueles entre R$ 301 mil e R$ 400 mil responderam por 16%. Propriedades acima de R$ 501 mil participaram com 12% das vendas, e a faixa entre R$ 401 mil e R$ 500 mil ficou com 4%.
O cenário mostra que a maior parte da procura continua voltada a imóveis compatíveis com o orçamento de famílias de renda intermediária, especialmente compradores que dependem de financiamento para realizar a aquisição.
Caixa responde por dois terços das compras financiadas
O financiamento habitacional continuou sendo um dos principais motores do mercado. A Caixa Econômica Federal esteve presente em 66,7% das aquisições realizadas em julho.
As negociações diretamente com proprietários representaram 16,7% das vendas, enquanto as compras à vista corresponderam a 12,5%. Outros bancos participaram de 4,2% das operações e não houve registro de compras por meio de consórcio.
Os números reforçam o peso do crédito habitacional nas decisões de compra. Taxas de juros, valor da entrada, prazo de financiamento e critérios de aprovação continuam sendo fatores determinantes para a concretização dos negócios.
Casas de dois dormitórios são maioria
As casas responderam por 65% das vendas, contra 35% dos apartamentos.
Entre as casas negociadas, 66,7% tinham dois dormitórios, 26,7% possuíam três e 6,7% tinham quatro ou mais. Em relação à área útil, 40% estavam entre 51 e 100 metros quadrados e outros 40% entre 101 e 200 metros quadrados.
Nos apartamentos, a concentração foi ainda maior: 90% das unidades vendidas tinham dois dormitórios. Outros 10% possuíam três dormitórios.
Quanto à área, 60% dos apartamentos vendidos tinham até 50 metros quadrados e 40% estavam entre 51 e 100 metros quadrados.
O perfil confirma a preferência por imóveis funcionais, com custos de manutenção mais controlados e adequados principalmente a famílias pequenas e médias.
Maioria das vendas ocorre fora do centro
As demais regiões da cidade concentraram 56% das vendas em julho. Os bairros centrais responderam por 24% e as áreas consideradas nobres por 20%.
A distribuição indica que preço, espaço, infraestrutura e acesso a serviços pesam cada vez mais na escolha do comprador. Em um cenário de crédito mais seletivo, regiões com melhor relação entre custo e benefício ganham espaço.
Locações despencam quase 30%
Se nas vendas o cenário foi positivo, o mercado de locação apresentou forte retração. O número de contratos caiu 29,97% em julho.
Outro destaque foi a mudança no perfil dos imóveis alugados. As casas representaram 94% das locações, enquanto os apartamentos ficaram com apenas 6%.
Entre as casas, 77,8% tinham dois dormitórios e 22,2% possuíam três. Os apartamentos locados eram todos de até um dormitório e com área de até 50 metros quadrados.
Aluguéis entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil concentram contratos
A faixa entre R$ 1.001 e R$ 1.500 foi responsável por 40% das locações realizadas em julho.
Imóveis de até R$ 1.000 representaram 30% dos contratos, enquanto aqueles entre R$ 1.501 e R$ 2.000 ficaram com 10%. Outros 20% corresponderam a aluguéis entre R$ 2.001 e R$ 3.000.
Não houve registro de contratos acima de R$ 3.001.
Os números indicam uma procura concentrada em imóveis que ofereçam equilíbrio entre espaço e valor do aluguel, especialmente casas de dois dormitórios.
Caução passa a ser principal garantia
Uma das mudanças mais expressivas apareceu nas garantias utilizadas nos contratos. O depósito caução foi adotado em 83,3% das locações, enquanto o fiador respondeu por 16,7%.
Não houve registro de contratos utilizando seguro-fiança ou títulos de capitalização.
O resultado representa uma mudança importante em relação a junho, quando o seguro-fiança havia sido utilizado em 77,8% dos contratos.
A predominância do caução pode indicar uma busca por alternativas que não gerem despesas recorrentes ao locatário, embora exija a disponibilização antecipada de recursos.
Mercado mais seletivo
Os números de julho mostram um mercado imobiliário que continua movimentado, mas com comportamentos bem diferentes entre compra e locação.
As vendas avançaram, sustentadas principalmente pelo crédito habitacional e pela procura por imóveis de preço intermediário. Já as locações sofreram forte retração e passaram a apresentar maior concentração em casas de dois dormitórios, aluguéis entre R$ 1.001 e R$ 1.500 e contratos garantidos por caução.
O cenário reforça a importância de compradores, vendedores, proprietários e locatários avaliarem cuidadosamente preço, financiamento, localização e condições contratuais antes de fechar negócio.
Para os próximos meses, o desempenho do setor deverá continuar ligado às condições de crédito, ao orçamento das famílias e à capacidade do mercado de se adaptar ao novo perfil de consumidores.








