Município registrou 982 solicitações em julho; levantamento aponta concentração dos pedidos entre trabalhadores de 30 a 39 anos
Os pedidos de seguro-desemprego registrados em São Carlos chegaram a 982 em julho de 2026, ante 954 no mesmo mês de 2025. Embora o número absoluto tenha apresentado pequena elevação, a análise do Núcleo Econômico da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (Acisc) indica que o dado deve ser observado em conjunto com a expansão do número de trabalhadores com carteira assinada e com o perfil das pessoas que recorrem ao benefício.
O levantamento integra o Informativo Econômico da Acisc e busca oferecer ao empresariado elementos adicionais para a compreensão do cenário econômico e do comportamento do mercado de trabalho. Segundo a análise, a construção de séries históricas permite identificar tendências que nem sempre aparecem quando admissões, desligamentos ou outros indicadores são observados isoladamente.
Em julho deste ano, o Brasil contabilizou 674.026 pedidos de seguro-desemprego, contra 647.635 registrados no mesmo mês de 2025. No Estado de São Paulo, as solicitações passaram de 186.297 para 192.411 no mesmo período. Em São Carlos, a variação foi de 954 para 982 pedidos.
Apesar do crescimento nominal nas três regiões, o Núcleo Econômico destaca que a participação dos pedidos de seguro-desemprego em relação ao estoque total de trabalhadores apresentou redução, influenciada pelo aumento do número de pessoas ocupadas com carteira assinada. Para a presidente da Acisc, Ivone Zanquim, a leitura integrada dos indicadores é fundamental para que empresários possam tomar decisões com maior segurança.
“Não podemos analisar a economia a partir de um único número. O empresário sente diariamente o comportamento do consumo, das vendas e das contratações, mas informações como os pedidos de seguro-desemprego ajudam a completar esse diagnóstico. Quanto mais dados tivermos, melhores serão as condições para entender o momento econômico de São Carlos e planejar os próximos passos”, afirma Ivone.
O levantamento chama atenção principalmente para o perfil de quem solicita o benefício. Nos seis primeiros meses de 2026, o Brasil contabilizou 4.737.542 pedidos de seguro-desemprego. Desse total, 66% foram apresentados por trabalhadores com ensino médio completo e com remuneração situada entre um e três salários mínimos. Cerca de 30% dos solicitantes tinham entre 30 e 39 anos.
De acordo com o economista do Núcleo Econômico da ACISC, Elton Casagrande, a repetição desse perfil em diferentes regiões do País merece atenção. “Quando observamos que, em todas as unidades da Federação, a faixa de 30 a 39 anos e os trabalhadores com ensino médio completo aparecem com forte participação entre os solicitantes, encontramos uma característica estrutural do mercado de trabalho. É uma parcela da população economicamente ativa que, em tese, estaria em uma fase de consolidação profissional e de crescimento da renda, mas que permanece exposta à rotatividade e às dificuldades econômicas”, avalia.
Casagrande ressalta ainda que o mesmo padrão já havia sido identificado ao longo de 2025. “A recorrência desses dados mostra que não se trata apenas de um movimento pontual. São informações que precisam ser acompanhadas porque afetam diretamente renda, consumo e planejamento das famílias e, consequentemente, o comércio e os demais setores produtivos”, acrescenta.
Para a Acisc, o acompanhamento dos pedidos de seguro-desemprego, aliado a indicadores de emprego formal, renda e atividade empresarial, permite uma avaliação mais abrangente da economia local. A entidade reforça que a produção e a divulgação periódica dessas informações contribuem para que empresários de São Carlos tenham referências mais consistentes para decisões relacionadas a investimentos, contratações, estoques e planejamento dos negócios.








