Economia

Selic elevada pressiona indústrias de São Carlos

Juros elevados que continua a pressionar o setor produtivo no Brasil, com reflexos diretos nas indústrias de São Carlos e região/Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Custo do crédito freia planos de expansão em um polo industrial marcado por tecnologia e inovação

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, no início de 2026, reforça um cenário de juros elevados que continua a pressionar o setor produtivo no Brasil, com reflexos diretos nas indústrias de São Carlos e região. A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, influencia o custo do crédito, os financiamentos e o ritmo dos investimentos empresariais.

Embora a ata da última reunião do Copom, divulgada na terça-feira (3), tenha indicado que o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes nos juros já em março, a política monetária deve permanecer restritiva por mais algum tempo, mantendo o crédito caro para empresas de diferentes portes.

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 80% dos empresários industriais apontam os juros altos como o principal obstáculo para conseguir crédito. Esse cenário tem levado muitas empresas a adiar investimentos, renovar máquinas com mais cautela e rever planos de expansão, com impactos também sobre a geração de empregos na cidade e na região.

Em um polo industrial que combina manufatura, tecnologia e inovação, como São Carlos, o custo do crédito influencia diretamente nas decisões de investimento e expansão. Para Paulo Giglio, diretor titular do Ciesp São Carlos, o contexto internacional ajuda a entender os movimentos esperados para a política monetária brasileira, ainda que o país enfrente desafios próprios.

“A América do Sul tem particularidades conhecidas, com governos que muitas vezes ampliam gastos e acabam pressionando impostos e juros. Mas, quando olhamos para mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, vemos que eles também estão lidando com dilemas semelhantes e, neste momento, buscam reduzir suas taxas de juros para estimular a economia”, analisou.

Segundo Giglio, o movimento global de queda dos juros cria um ambiente mais favorável para que o Brasil também avance nesse sentido, ainda que de forma gradual. “O capital busca remuneração, mas, sobretudo, previsibilidade e segurança. Se o mundo começa a trabalhar com juros menores, isso abre espaço para ajustes também aqui, o que seria fundamental para destravar investimentos produtivos”, avalia.

O cenário ainda é incerto, mas, se confirmado, pode trazer algum alívio para o setor industrial, que enfrentou desaceleração no fim de 2025, conforme dados divulgados pelo IBGE na última semana. Na avaliação de Rafael Cervone, presidente do Ciesp, o recuo da indústria está diretamente relacionado aos juros elevados e a entraves estruturais que pesam sobre o setor.

A produção industrial fechou o ano com crescimento de apenas 0,6%, evidenciando perda de ritmo nos últimos meses. Até junho, o setor acumulava avanço de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, a variação foi nula. Mas, entre setembro e dezembro, houve recuo de 1,9%.

“Não é coincidência essa perda de ritmo. O setor já vinha operando sob forte pressão de juros muito elevados, que encarecem o crédito, travam investimentos e comprimem o consumo. Quando isso se soma a impostos altos, insegurança jurídica, custos trabalhistas crescentes e à valorização do câmbio, o ambiente torna-se francamente adverso para quem produz”, ponderou.

Cervone destacou ainda que esse ambiente macroeconômico e regulatório acaba limitando os efeitos de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da indústria e acende um alerta para 2026. “A indústria é estratégica para a economia, gera empregos de qualidade e inovação. Para retomar o crescimento, é fundamental um ambiente mais favorável ao investimento, com juros menores e menos entraves”, afirmou.

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