Marcos Escrivani
Trabalhadores e trabalhadoras das unidades da Embrapa em São Carlos rejeitaram por unanimidade a proposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A decisão foi tomada durante assembleia realizada na quarta-feira, 12, com participação de empregados da Embrapa Instrumentação e da Embrapa Pecuária Sudeste.

A assembleia foi conduzida pelo presidente da Seção Sindical do Sinpaf São Carlos, o médico veterinário Raul Mascarenhas, que representa os trabalhadores das duas unidades. Durante o encontro, a categoria analisou os termos apresentados pela empresa e considerou que a proposta não contempla reivindicações consideradas importantes pelos empregados.
Entre os pontos apresentados pela Embrapa está a aplicação do INPC acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026, de 4,11%, para reajuste dos salários e de cláusulas com impacto econômico, como auxílio-creche e auxílio-alimentação.
Os trabalhadores, no entanto, defendem que as negociações avancem também sobre cláusulas sociais, que não representam impacto econômico direto, mas podem contribuir para a melhoria das condições de trabalho. Entre as reivindicações estão medidas para adaptação das atividades às condições climáticas extremas, aperfeiçoamento das políticas de apoio e inclusão de pessoas com deficiência (PCDs), valorização de técnicos e assistentes, fortalecimento das ações de combate ao assédio e à discriminação e regulamentação de aspectos relacionados ao teletrabalho.
Segundo o Sinpaf, a rejeição em São Carlos acompanha o resultado das assembleias realizadas em outras unidades da Embrapa pelo país. Até o momento, 36 seções sindicais teriam rejeitado a proposta, enquanto três aprovaram, resultando, de acordo com a entidade, em rejeição nacional da proposta.
Após a consolidação das atas das assembleias, o SINPAF deverá protocolar o resultado junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), solicitando a abertura de um processo de mediação. A expectativa da entidade é que o Tribunal convoque representantes dos trabalhadores e da empresa para a retomada das negociações.
Para Raul Mascarenhas, a rejeição da proposta não significa o encerramento do diálogo, mas demonstra a insatisfação dos empregados com os termos apresentados e a necessidade de uma negociação efetiva sobre as reivindicações da categoria.
“A rejeição da proposta não significa o fechamento das portas para um acordo, mas demonstra a necessidade de que os principais pontos reivindicados pelos trabalhadores sejam efetivamente discutidos”, afirma o presidente da Seção Sindical de São Carlos e diretor de Comunicação da Diretoria Nacional do Sinpaf.








