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Opositor de Putin que já sobreviveu a envenenamento desapareceu de prisão

Questionado, o Kremlin disse não saber sobre Nalvani

12/12/2023 15h34 - Atualizado há 2 meses Publicado por: Redação
Opositor de Putin que já sobreviveu a envenenamento desapareceu de prisão Foto: Arte / Jornal Primeira Página

Reportagem: Estadão Conteúdo

O paradeiro do líder da oposição russa Alexei Navalni é desconhecido há, pelo menos, uma semana, quando funcionários da prisão onde ele cumpria a pena disseram a um dos seus advogados que ele já não constava da lista de reclusos, de acordo com sua porta-voz. Questionado, o Kremlin disse não saber sobre Nalvani.

Os funcionários da prisão “se recusam a dizer para onde o transferiram”, disse a porta-voz de Navalni, Kira Yarmysh, em postagens no X, rede social anteriormente conhecida como Twitter Um advogado de Alexei Navalni que contatou outra prisão na região para onde ele poderia ter sido transferido foi informado de que a instalação não tinha tal preso, disse Yarmysh.

“Não, não temos a intenção nem a possibilidade de conhecer o destino dos prisioneiros e os detalhes da sua estadia nas instituições penitenciárias correspondentes”, disse Dmitry Peskov, porta-voz presidencial do governo da Rússia, na sua entrevista coletiva diária.

Alexei Navalni cumpre pena de 19 anos sob acusação de extremismo em uma prisão de segurança máxima, a Colônia Penal n.º 6, na cidade de Melekhovo, na região de Vladimir, cerca de 230 quilômetros a leste de Moscou. Ele deveria ser transferido para uma colônia penal de “segurança especial”, uma instalação com o mais alto nível de segurança do sistema penitenciário russo.

Yarmysh disse na segunda-feira, 11, que Navalni deveria comparecer ao tribunal naquele dia por meio de videoconferência, mas não o fez, e que já se passaram seis dias desde a última vez que seus advogados ou aliados tiveram notícias dele.

Envenenamento e recuperação

Navalni, de 47 anos, está atrás das grades desde janeiro de 2021. Sendo feroz inimigo do presidente Vladimir Putin, fez campanha contra a corrupção oficial e organizou grandes protestos contra o Kremlin. Sua prisão ocorreu após seu retorno da Alemanha a Moscou, onde se recuperou de um envenenamento que atribuiu ao Kremlin.

Desde então, Navalni foi condenado a três penas de prisão e passou meses isolado na colônia penal da região de Vladimir por alegadas infrações menores. Ele rejeitou todas as acusações contra ele como tendo motivação política.

Neste momento, não se sabe se o líder opositor pode ter sido transferido para uma prisão na parte europeia da Rússia ou para outra penitenciária na Sibéria. Seus aliados acusam o Kremlin de querer silenciá-lo logo depois de o presidente Vladimir Putin ter anunciado sua intenção de concorrer à reeleição.

Na semana passada, Yarmysh disse que durante três dias consecutivos os advogados de Alexei Navalni passaram horas na colônia penal à espera de autorização para o visitar, apenas para serem recusados no último minuto. As cartas ao político não estavam sendo entregues e ele não compareceu às audiências agendadas via videoconferência.

‘Mais ou menos bem’

A porta-voz Kira Yarmysh disse na sexta-feira, 8, que os acontecimentos eram preocupantes, visto que Alexei Navalni adoeceu recentemente. “Ele sentiu-se tonto e deitou-se no chão. Os funcionários da prisão correram até ele, desdobraram a cama, colocaram Alexei nela e aplicaram-lhe soro intravenoso. Não sabemos o que causou isso, mas dado que ele está sendo privado de comida, mantido em uma cela sem ventilação e lhe foi oferecido um mínimo de tempo ao ar livre, parece que ele desmaiou de fome”.

Ela acrescentou que os advogados o visitaram após o incidente e ele parecia “mais ou menos bem”.

As preocupações com Navalni repercutiram em todo o mundo. O porta-voz do conselho de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, disse na segunda-feira que Navalni “deveria ser libertado imediatamente” e “nunca deveria ter sido preso em primeiro lugar”. Da mesma forma, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, reiterou na terça-feira (12), o seu apelo à libertação imediata do opositor russo.

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