Rariane Costa/AE
Noelia Castillo, espanhola de 25 anos, recebeu na quinta-feira, 26, em Barcelona, os medicamentos para realizar a eutanásia. Ela foi submetida ao procedimento no centro socio-sanitário Sant Camil, em Sant Pere de Ribes, na região de Barcelona.
O caso ganhou repercussão pública, impulsionado pela idade da jovem, pela disputa judicial travada por sua família para impedir o procedimento e pelas circunstâncias que a levaram a tomar a decisão, fatores que culminaram no aval da Justiça ao seu direito de pôr fim à própria vida.
A jovem enfrentava transtornos psiquiátricos desde a adolescência e havia tentado suicídio duas vezes, a última após sofrer violência sexual, em 2022. As lesões decorrentes dessa tentativa a deixaram paraplégica. A partir de então, passou a viver com limitações permanentes, dependente de cadeira de rodas e sob dores constantes.
Com um histórico prévio de fragilidade emocional, que incluía episódios de automutilação, ela vivia em uma residência assistida em Sant Pere de Ribes, onde permaneceu enquanto o caso avançava nas instâncias médicas e judiciais. A jovem não contava com o acompanhamento da família, que se opunha à sua decisão.
Noelia deu início aos procedimentos para a eutanásia em abril de 2024 quando solicitou à Catalunha autorização analisada por um comitê independente formado por médicos, juristas e especialistas em bioética, responsável por avaliar a aplicação da legislação espanhola.
O pedido foi aprovado com base em laudos que apontaram um quadro grave e incurável, além de sofrimento intenso, crônico e incapacitante.
Ainda em agosto de 2024, o pai da jovem contestou a decisão, e um tribunal suspendeu o procedimento. Ele alegou que a condição mental da filha comprometia sua capacidade de escolha.
Após decisões favoráveis em instâncias posteriores, o caso chegou ao Supremo Tribunal da Espanha, que, em janeiro, confirmou o direito à eutanásia. Uma última tentativa de barrar o processo, levada ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, foi rejeitada no início deste mês.
Em entrevista à TV espanhola, a jovem afirmou que não queria a presença da família no momento de sua morte, se dizendo incompreendida. “Ninguém da minha família é a favor da eutanásia”, disse. “Mas e a dor que sofri durante todos esses anos?”.
Segundo ela, a decisão nunca foi motivo de dúvida. “A felicidade de um pai ou de uma mãe não deve se sobrepor à de uma filha”, afirmou.
Na Espanha, a eutanásia e o suicídio assistido são legais desde 2021, tanto para pacientes terminais quanto para aqueles com condições permanentes consideradas insuportáveis. O processo exige duas solicitações formais e avaliações médicas independentes.








