PAULO MELLO
O manejo de javalis em São Carlos e região foi tema de entrevista no programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, nesta sexta-feira, 28 de agosto, com o presidente da Associação de Caçadores de São Carlos e Região, Davi Costa, e o tesoureiro Lucas Gomes. Os dirigentes explicaram a atuação da entidade, os requisitos para o manejo legal da espécie e os impactos provocados pelos animais em propriedades rurais e no meio ambiente.
Segundo os representantes, a associação foi criada para organizar manejadores, ampliar o acesso a informações e dar representatividade ao grupo diante dos órgãos públicos. “A associação foi criada com o intuito de organizar os manejadores, caçadores, e juntar todo esse povo para eles terem maior conhecimento e a gente ter representatividade perante os órgãos públicos”, explicou Davi.
A entidade promove orientações, cursos e palestras relacionados ao meio ambiente e ao manejo de javalis. De acordo com os dirigentes, qualquer pessoa pode integrar a associação, mesmo sem atuar diretamente na atividade. Para realizar o manejo, porém, são exigidas documentações e autorizações específicas. “Em todas as fazendas que nós vamos, nós temos que ter autorização do fazendeiro. Sem autorização do fazendeiro, nós somos ilegais”, afirmou Davi.
Impacto do javali nas propriedades rurais
Durante a entrevista, os representantes destacaram os prejuízos causados pelos javalis às lavouras e ao meio ambiente. Segundo eles, grupos desses animais podem destruir plantações em pouco tempo, com impacto especialmente significativo para pequenos produtores. “Um bando de javali destrói uma lavoura em uma noite. Imagina isso num produtor pequeno, que gasta para produzir e, numa noite, vê tudo perdido”, relatou Davi.
Lucas ressaltou que o foco da entidade está no controle da espécie e na conservação ambiental. “A importância principal é o manejo e a conservação do meio ambiente, e não tanto o consumo propriamente dito”, afirmou. Segundo ele, a manutenção da autorização para o controle da espécie ao longo dos anos está relacionada ao impacto ambiental causado pelo javali.
Os entrevistados também chamaram a atenção para a necessidade de identificação correta dos animais antes de qualquer ação. A associação oferece treinamento para diferenciar javalis e javaporcos de espécies nativas, como catetos e queixadas. “Nós formamos manejadores. Passamos para eles os tipos de animais semelhantes ao javali e ensinamos qual é a diferença”, explicou Davi.
Segurança e responsabilidade no manejo
Outro ponto abordado foi a segurança dos participantes. Segundo os dirigentes, as atividades são realizadas em grupo e seguem procedimentos prévios de observação e análise do local. “A preocupação da associação não é ir caçar, é a segurança do meio ambiente e a segurança dos manejadores, para que eles voltem para suas casas e para seus familiares bem”, afirmou Davi.
A associação também explicou que o comércio da carne dos animais abatidos não é permitido nas condições descritas durante a entrevista. O consumo pelo próprio responsável pelo abate pode ocorrer, segundo os dirigentes. A entidade conta ainda com veterinários e capacitação para identificar sinais de doenças. Quando há suspeita de contaminação, o animal é enterrado no próprio local para reduzir riscos a outros animais.
Atualmente, segundo os entrevistados, a Associação de Caçadores de São Carlos e Região reúne mais de 200 associados e recebe pedidos de produtores rurais de diferentes municípios. “Na verdade, a gente não dá conta, porque, se for atender todos os pedidos de fazenda que tem na região, é muita coisa”, disse Davi ao comentar a demanda pelo controle dos animais.
Os dirigentes também aproveitaram a participação no programa para divulgar o terceiro encontro promovido pela associação, previsto para o dia 5. A proposta é ampliar o diálogo sobre o manejo de javalis, esclarecer dúvidas da população e aproximar produtores rurais, manejadores e pessoas interessadas em conhecer melhor a atividade desenvolvida pela entidade.








