No fim do mês de janeiro de 2026 dois casos surpreenderam e causaram revolta ao serem noticiados. O do cão Orelha e de um jovem deixado em coma após briga por um chiclete.
O primeiro se refere à notícia na qual quatro adolescentes são acusados de maus-tratos contra o cão comunitário chamado de Orelha e também de coação de testemunhas para acobertar o crime. Ocorrido em uma região nobre de Florianópolis. Os autores também são investigados por tentativa de matar outro animal.
O segundo caso citado é sobre o ex-piloto da Fórmula Delta, Pedro Arthur Turra, de 19 anos. Preso em flagrante por tentativa de homicídio e lesão corporal gravíssima. A vítima de Pedro foi alvo de socos repetidos, traumatismo craniano e ficou em coma, no Distrito Federal. O criminoso também é investigado por outros três crimes.
No primeiro caso, os adolescentes foram “recompensados” pelas famílias com viagens a parques da Disney, nos EUA. O segundo, foi acobertado por muito tempo com fama, dinheiro e notas públicas da família de que se solidarizavam com as vítimas e havia apenas sido “acidentes” entre jovens.
Para a Psicologia, há as chamadas Condutas de Risco e Violência. As quais são comportamentos de risco a si, que podem resultar em danos psicológicos, emocionais ou físicos para quem as adota ou para quem convive com essas pessoas. Assim, resultam em conflitos e sofrimento mental generalizado para todos os envolvidos, não só quem as pratica.
Deste modo é preciso analisar como essas condutas falam sobre os casos em um contexto social e também individual. Tanto para se pensar em um entendimento, quanto para tratamento.
Isso porque, embora individualmente não haja muitas informações sobre os perfis dos autores dos crimes, há fatos sociais e comunitários que perpetuaram os atos de perversidade. Como o perfil de sexo, cor da pele e classe social, os quais permitiram que os crimes fossem acobertados até certo ponto e que as famílias fizessem um pacto de silêncio sobre as violências repetidas.
O papel do psicólogo e da Psicologia não é de julgamento moral dos crimes. E nem de dizer se os atos violentos indicam uma possível “psicopatia”, como foi colocado em alguns portais de notícia (devido à falta de informações no momento). Mas sim de entendimento e busca de esclarecimentos e saúde mental para os envolvidos em casos de condutas de risco, principalmente em casos que envolvam adolescentes.
E o principal caminho é pelas medidas de intervenção psicológicas e socioeducativas. As quais buscam a conscientização, responsabilização e reflexão sobre as condutas.
No entanto, ressalta-se que é preciso entender se estas são ou não perpetuadas pelo ambiente no qual o ambiente vive e se são reforçadas por este contexto familiar, por exemplo. Não para tirar a culpa dos autores, mas sim para buscar uma possibilidade real de intervenção. Pois a impunidade apenas coloca que a repetição dessas condutas e violências é algo corriqueiro e que pode ser realizado para sempre.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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