Adultos são mais sozinhos? Tem menos grupos de amigos?
Com o amadurecer, os interesses e objetivos de vida se alteram

Com a chegada da idade adulta e o passar dos anos, uma queixa costuma ser recorrente: a de se ter menos amizades do que em períodos anteriores da vida. Como na infância ou adolescência.
E para entender melhor sobre essa sensação, é preciso refletir sobre alguns pontos. Primeiro, de que na infância, as conexões se dão de forma mais socialmente desinibida (devido à idade e ao período de desenvolvimento). Por isso, basta que exista um local comum de convivência, como a escola, para que as amizades floresçam.
Segundo, que a adolescência tem como um dos seus grandes objetivos a busca por identidade psíquica e social. Então, os esforços e energias dessa fase estão destinados a buscar um grupo e amizades nos quais a pessoa se encaixe (além de fazer sua manutenção recorrente).
Já com o chegar da idade adulta a situação acaba por se alterar. Devido a introdução social e pessoal de responsabilidades e de maior independência de grupos e de identidade, as prioridades pessoais acabam tendo uma mudança de foco. O objetivo da pessoa não é ter um grupo que ajuda a definir seu local no mundo, mas sim a capacidade de fazer isso a partir de como se entende e como desempenha suas capacidades socialmente.
O indivíduo geralmente passa a ter que lidar com algumas questões, como: maior ritmo de estudos, trabalho, planejamento e formação familiar, responsabilidades financeiras, ou se passa (de um ponto de vista psíquico) a ser também cuidador dos genitores. Passando a se identificar como: trabalhador, cuidador, etc. e não apenas como parte de um grupo ou movimento.
Isso tudo leva a uma mudança nos papéis sociais que cada um desempenha, no tempo que se tem para um grupo e o que esse representa na formação identitária. Por exemplo, se na adolescência a pessoa tinha a função de suporte emocional de um grupo de amigos e era parte intrínseca para seu funcionamento presencial, talvez na idade adulta ela precise se tornar cuidadora de um parente doente e, portanto, tenha menos tempo para o grupo.
Outra questão, é que, pelo ponto de desenvolvimento neurológico e psíquico, a pessoa já está melhor equipada para lidar com a sua solitude e também para suportar e entender que as relações que constrói suportam que cada um tenha independência para viver a própria vida para além dessas relações.
Os grupos, então, não dependem de encontros diários e presenciais para existir, suportando certo grau de ausência. Esses existem para além das pessoas e não para defini-las.
Durante a fase adulta, também é normal e saudável que se faça uma ciclagem de círculos de convivência. Isso porque, com o amadurecer, os interesses e objetivos de vida se alteram. Assim, é indispensável que cada um encontre e construa uma rede de apoio que compreenda e apoie essa fase.
Desta forma, pode-se concluir que, não é sobre o fato de que os “adultos não têm amigos” ou “vivem sempre sós”. Mas sim, sobre redefinir as redes de apoio para que façam sentido a esse período.
Pensando em todos esses desafios e dificuldades que podem se apresentar da adolescência para a fase adulta, se coloca como interesse a psicoterapia com um psicólogo. Pois, pode-se entender melhor sobre as questões de formação de identidade, dificuldades em estabelecer redes de apoio, de ressignificar amizades, grupos e relações, lidar com responsabilidades e também com as inúmeras mudanças que acompanham os ciclos de vida.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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