Nos EUA, uma mulher estado-unidense de 37 anos foi morta por agentes de imigração sem motivo comprovado, no início de janeiro de 2026. No dia 15 do mesmo mês, mais um homem venezuelano também foi morto.
Ambas as mortes têm gerado protestos. E, em contrapartida, repressão governamental autoritária.
A questão internacional é uma cena ilustrativa. O que precisa ser analisado e discutido é: como uma relação se torna autoritária. E como esse desequilíbrio de poder relacional afeta alguém.
Uma relação saudável e ética é baseada no acordo mínimo das partes sobre o que pode e não ser feito. Com ambos envolvidos entendendo que não se podem ultrapassar certos limites combinados. Mesmo que a hierarquia exista e seja respeitada.
Quando estes limites são ultrapassados, é desrespeito. A repetição deste, são o abuso e a violência. Quem escolhe por essa violência é um autoritário e abusador.
E não se fala aqui apenas sobre relações sociais e políticas. Mas também sobre as relações interpessoais e de trabalho.
Nestes casos, a pessoa que abusa, vê no autoritarismo uma forma de reprimir a vítima e manter assim o seu controle sobre ela e a situação. Há um ganho, seja financeiro, afetivo ou psicológico. O abusado vira uma fonte de renda psíquica.
Por isso, nestes relacionamentos mais autoritários, tóxicos ou abusivos, a liberdade e autonomia são tratadas como exóticas e estigmatizadas. Coisas que prejudicariam a dinâmica. E, portanto, quem as busca, deveria se sentir culpado por tal.
Este modo de se relacionar disfuncional é algo que se aprende nos primeiros períodos formativos. Sendo comum em pais que são muito autoritários e reprimem os filhos, por exemplo.
Pois se aprende a não ter agência sobre si, a não se impor. E que quando o faz, a resposta será algum tipo de violência do autoritário. O outro fica como aquele que pode tudo com o corpo e mente da vítima, não há liberdade.
Como resultado, pessoas que passam por isto comumente são afligidas por culpa, ansiedade, irritabilidade, incapacidade de tomar decisões, dificuldade de comprometimento, questões de identidade e autoestima, despersonalização, violências, abusos e sensação de falta de sentido na vida.
Assim, o atendimento com um psicólogo é importante para que se possa não só buscar por relações mais saudáveis e funcionais, mas também para entender e se fortalecer para relacionamentos e uma vida mais autônoma e independente, na qual se tenha a liberdade de ser a protagonista de si.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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