De acordo com publicação da Veja (2025), o número de buscas por “canetas emagrecedoras” no Google, teve um aumento de 1.100% nos primeiros meses de 2025. E as procuras pelo assunto também superam em 80% as buscas pelo termo “dietas”. O que indica uma demanda de resultados rápidos e através desses métodos específicos.
As “canetas emagrecedoras” são medicamentos que foram criados para o tratamento da diabetes tipo 2. Que é a doença na qual o corpo cria resistência à insulina, não a utilizando de forma eficiente e diminuindo sua produção com o tempo. Esse tipo de diabetes também é frequentemente associado ao aumento de peso.
A base dessas medicações é o hormônio GLP-1, que simula a saciedade e retarda a digestão, para controlar o açúcar no sangue. E como consequência diminui a quantidade de alimentos ingeridos de forma geral. Resultando em uma perda de peso.
Já a gordofobia clínica se refere ao processo no qual pessoas sofrem preconceito no campo da saúde devido ao seu peso especificamente. No sentido de que todo o seu quadro de saúde é sempre resumido ao único fator “peso”. Apesar de esse não ser a causa real das doenças ou sintomas do indivíduo.
Isso resulta em que o paciente seja desumanizado, desacreditado, humilhado, estigmatizado e não acolhido frente as suas opiniões e direitos sobre seu próprio tratamento. E principalmente impulsiona conjuntos de práticas e tratamentos que estimulam o emagrecimento a qualquer custo, mesmo que isso leve a um constrangimento, prescrições compulsórias, injeções, cirurgias e a riscos de saúde.
E se perpetua, através da (des)orientação de quem deveria cuidar, a crença de que as pessoas acima do peso são desleixadas, indisciplinadas ou preguiçosas. Que são incapazes de se cuidar. E que, portanto, os tratamentos de saúde deveriam se resumir a uma perda de peso compulsória e não a um programa de cuidado individual e contextualizado.
Um exemplo atual é a prescrição e compra descomedida das canetas emagrecedoras como medicamentos para emagrecer apenas e não para o controle de diabetes tipo 2. Independente dos seus riscos à saúde. E sem orientação e acompanhamento médicos adequados.
Devido a esse quadro, se compõem sintomas de saúde mental. Pois o indivíduo passa a acreditar na imagem de uma pessoa incapaz e que resolverá tudo ao atingir um peso ideal, não importa o que sacrificar, inclusive o próprio corpo.
Dentre os riscos em saúde mental (para além dos diversos riscos de saúde física), associados a essas situações interligadas estão: transtornos de imagem corporal, de autoestima, transtornos alimentares (anorexia, bulimia e compulsão alimentar), de ansiedade, de socialização, bipolaridade, depressivos e ideações suicidas.
Diante disto, é importante reforçar que a medicação não é a vilã, pois funciona para diabetes tipo 2. Mas que deve ser utilizada de forma certa, quando indicada por pessoas qualificadas para o objetivo correto. Por isso, se faz importante a psicoterapia para que o indivíduo não seja alvo de desinformação, preconceito, angústia ou tenha direitos infringidos na hora de tomar uma decisão em relação a própria saúde. Podendo assim se instrumentalizar para lidar com as causas reais com suas queixas em saúde de maneiras adequadas e saudáveis.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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