As festas de fim de ano costumam ser um período de reunião e comemoração. Porém, para pessoas com neurodivergências, podem haver alguns desafios a serem enfrentados nestes momentos.
“Neurodivergência” é o termo usado para pessoas cujas funções cerebrais ocorrem de forma diferente do esperado ou do entendido como “comum”. Por causa disso, a socialização, processamento sensorial e de informações, assim como a interação rotineira com o mundo ocorrem de forma diferenciada para esse indivíduo.
Como exemplos, temos: o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), Síndrome de Tourette, AH/SD (Altas Habilidades e Superdotação), Discalculia e Dislexia.
Desta forma, a socialização intensa acaba por se tornar um caminho complexo a ser trilhado. Não pelo desgostar dos envolvidos, mas sim pela chamada “sobrecarga sensorial ou emocional”.
Este fenômeno é algo que pode acontecer com qualquer um. Mas se torna mais comum para aqueles que são neurodivergentes, principalmente em casos de autismo. Devido a sua maneira única de processamento das experiências do dia a dia.
Em uma “sobrecarga”, o cérebro recebe muito mais estímulos do que está acostumado em sua rotina. Sejam estímulos completamente inesperados e assustadores, recebê-los quando já se está cansado, incomodado ou sensibilizado. Resultando em sentimentos de irritação, estresse, raiva, ansiedade, confusão e pânico.
E, então gerando um episódio de crise. O qual pode envolver: movimentos repetitivos para gerar sentimento de confortabilidade (chamado de “flapping”); choro e gritos para diminuir os barulhos que irritam; agitação para tentar sair do lugar que incomoda; autoagressão para focar em uma única sensação; ou o “desligamento”, tentativa de não interpretar nada que é incômodo.
Por isto, nos períodos de maior estímulo (como os de festas), é importante o desenvolver de estratégias de autorregulação (habilidade de lidar com as próprias emoções e sentimentos). Tais quais: ter uma rotina previsível; ter equipamentos de redução de estímulos (fones/abafadores, roupas confortáveis, algo para mascar, bolinhas antiestresse, músicas que acalmam, óculos de sol); e ter um local que seja confortável e silencioso para que a pessoa possa descansar.
Neste sentido, o acompanhamento com um psicólogo é de grande importância. Por permitir que se identifiquem gatilhos emocionais e sensoriais, se estabeleça uma rotina adequada, se faça a psicoeducação para que a autorregulação ocorra de uma forma mais funcional e fácil e que as estratégias sejam criadas e estabelecidas de uma forma mais prática. E, acima de tudo, que a pessoa possa participar da sua vida e rotina social de forma que lhe faça bem.
Ademais, é importante a discussão de temas como este para que se ampliem as conversas sobre neurodivergências, a inclusão e respeito dessas pessoas. E também se garantam os direitos e respeitos a esses indivíduos.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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